

Clama por Socorro/L
Quando o peso já não cabe no peito,
E a força se esvai nas mãos, Quando a noite parece não ter fim E o medo ocupa o coração, Nasce um som diferente na terra — Não é grito de guerra ou vanglória, É o choro quebrado do povo Pedindo socorro na própria história. Clama quem já tentou sozinho. Clama quem caiu e sentiu. Clama quem reconhece no silêncio: “Sem Deus, eu me perdi de mim.” O orgulho se desfaz em lágrimas, A soberba aprende a ajoelhar. E o que era dureza de pedra Começa, enfim, a quebrantar. Não é oração bonita e perfeita, É voz embargada, é dor real. É o filho voltando pra casa Depois de andar por vale mortal. E quando o clamor sobe sincero, Rasgando o peso do chão, O céu inclina Seus ouvidos Ao som da humilhação. Porque Deus não resiste ao arrependido, Nem despreza o coração contrito. O grito que nasce na fraqueza Move o braço do Infinito. Clama, povo, enquanto há fôlego. Clama antes que a chama se apague. Porque quem aprende a buscar socorro Descobre que Deus nunca se atrasa — Ele responde no tempo exato E transforma pranto em nova jornada.
Ademi Gomes
Enviado por Ademi Gomes em 12/02/2026
Alterado em 12/02/2026 Comentários
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