

Sertão
sertão, com sua vegetação seca pelo sol intenso, ardia de tanto calor que fazia o chão rachar. A água era tirada das cacimbas para o uso doméstico e para matar a sede dos seres viventes. A única árvore que resistia à seca era o juazeiro.
De short gasto, eu brincava com meu carrinho feito de madeira. Era o único brinquedo que eu tinha, mas bastava-me. Eu pensava que o mundo se resumia ao que acontecia naquele lugar. Meu pai era um simples lavrador, e minha mãe, dona Mocinha, acordava cedo, antes da aurora, para acender o fogão de lenha. O cheiro do café feito no coador de pano se espalhava pela casa. Meu pai saía em busca de trabalho para trazer o pão de cada dia, pois nas terras secas, por falta de chuva, não havia como plantar feijão e milho. Nós, os filhos ainda crianças, não tínhamos muito com o que ajudar. Fazíamos o que podíamos — buscar água na cacimba em potes de barro ou em cabaças, e carregar feixes de lenha.
Ademi Gomes
Enviado por Ademi Gomes em 05/03/2026
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