

Filho Sonhado
Desde muito cedo, ainda muito jovem, eu tinha o desejo de ser pai, mas a vontade vinha acompanhada de muitas dúvidas. Casar, formar uma família, conhecer uma mulher, me relacionar e, em comum acordo, sermos pais… tudo era muito confuso para mim. Além disso, pensar em criar uma criança era algo muito difícil: a responsabilidade de dar boa educação, de não deixar faltar nada, de garantir um futuro digno.
A adoção parecia ser a única forma de eu me tornar pai sem precisar me unir a uma mulher. No entanto, eu me perguntava: adotar uma criança sem mãe? Quando ela me perguntasse sobre a mãe, o que eu diria? Surgiram várias oportunidades de adoção, mas eu sempre pensava: como vou cuidar de uma criança sozinho? Até que, um dia, recebi uma ligação. Era uma irmã contando sobre uma criança que havia acabado de ganhar, mas que não poderia ficar com ela, pois não tinha condições de criá-la. Não hesitei e disse: “Eu fico.” A partir daquele momento, eu tinha um filho para chamar de meu. A emoção de segurar um filho nos braços é incomparável. Aos 52 anos, sem nunca ter trocado uma fralda, limpado cocô de bebê, dado banho ou preparado mamadeira, a vontade era tanta que tudo se tornou fácil. Tudo isso aconteceu junto com meu companheiro, Lui Antônio, que me deu o maior apoio que um ser humano pode receber. Também contei com a ajuda de tantos amigos, que foram fundamentais na criação do meu filho. Não foi fácil. A luta foi grande. Mas foi compensadora. O filho tão sonhado, Deus me deu.
Ademi Gomes
Enviado por Ademi Gomes em 06/03/2026
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