Ademi Gomes

Só Deus é perfeito

Textos

Cap 01 Rascunho
Capítulo 1
O Desejo Paternal – Raízes da História
Desde muito cedo, ainda na infância, existia dentro de mim um sentimento que eu não sabia explicar muito bem. Era um desejo silencioso, mas muito forte: o desejo de ser pai.
Naquela época, eu ainda não entendia direito o significado da palavra paternidade. Eu era apenas um menino vivendo sua infância, aprendendo sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre a vida. Mas, mesmo sem compreender totalmente, algo dentro do meu coração já apontava nessa direção.
Eu sempre tive uma ligação muito natural com crianças. Quando havia alguma criança por perto, eu me aproximava com facilidade. Gostava de brincar, conversar, inventar histórias e participar daquele universo simples e cheio de imaginação.
Talvez porque as crianças tenham uma forma muito pura de enxergar o mundo. Elas não carregam maldade, não julgam, não fazem distinções. Elas apenas sentem. E eu sempre me senti muito bem nesse ambiente de alegria, inocência e verdade.
Cresci observando as famílias ao meu redor. Via pais segurando as mãos de seus filhos, mães abraçando suas crianças, famílias caminhando juntas. Essas imagens, simples para muitos, despertavam algo muito profundo dentro de mim.
Às vezes eu ficava apenas olhando. Observava um pai ensinando o filho a caminhar, uma mãe protegendo seu pequeno nos braços, ou uma família reunida em momentos simples do dia a dia. Aquilo tocava meu coração de uma forma muito especial.
E, sem perceber, eu começava a me imaginar naquele lugar.
Imaginava como seria ter um filho correndo em minha direção. Como seria ouvir alguém me chamar de pai. Como seria poder cuidar, proteger, orientar e acompanhar o crescimento de uma criança.
Era um sonho que nascia devagar, mas com raízes profundas.
Minha própria história de vida também ajudou a construir esse sentimento. Cresci passando por diferentes experiências, vivendo momentos simples e, muitas vezes, difíceis. A vida no sertão, onde passei parte da minha infância, ensinou muito sobre resistência, solidariedade e valor humano.
No sertão, as famílias costumam ser grandes e as crianças estão sempre por perto. Primos, vizinhos, irmãos mais novos — todos convivem juntos, brincando no terreiro, correndo pelo chão de terra, inventando jogos com o que têm à disposição.
Nesse ambiente, cuidar uns dos outros é algo natural.
Muitas vezes, mesmo sendo ainda muito jovem, eu já me via ajudando a cuidar de alguma criança menor, brincando com elas, protegendo, orientando ou simplesmente estando por perto.
E cada uma dessas pequenas experiências ia alimentando dentro de mim algo maior: um sentimento de carinho, responsabilidade e amor pelas crianças.
Com o passar do tempo, esse sentimento foi crescendo junto comigo.
Quando cheguei à adolescência e depois à juventude, o desejo de ser pai já estava muito mais claro dentro de mim. Não era apenas uma ideia passageira ou um pensamento distante. Era um sonho verdadeiro.
Sempre que via uma família com uma criança, algo dentro de mim se movimentava. Eu me imaginava naquele lugar, vivendo aquele tipo de relação.
Não era apenas sobre ter um filho. Era sobre construir um vínculo de amor, cuidado e presença.
Para mim, ser pai sempre significou muito mais do que laços de sangue. Significava estar presente, orientar, apoiar, dar carinho e ajudar uma criança a crescer segura e amada.
Esse sentimento não surgiu de repente. Ele foi sendo construído aos poucos, ao longo da vida, através das experiências, das observações e, principalmente, do amor que sempre senti pelas crianças.
Hoje, olhando para trás, percebo que aquele menino que brincava com as crianças ao redor já carregava dentro de si o coração de um pai.
A semente estava plantada.
E, mesmo sem saber como ou quando, eu já sentia que, um dia, esse sonho encontraria seu caminho para florescer. 🌱

Capítulo 1 — Continuação
O chamado do coração
A adoção não nasceu em mim de repente.
Ela foi sendo construída aos poucos, no silêncio dos meus dias, nas orações que eu fazia sem saber exatamente como tudo aconteceria. Era um desejo profundo, desses que não passam com o tempo. Pelo contrário: quanto mais o tempo andava, mais esse sonho criava raízes dentro de mim.
Havia momentos em que eu me perguntava se realmente seria possível.
Se aquele sonho tão bonito um dia deixaria de morar apenas no meu coração para ganhar vida nos meus braços, dentro da minha casa, na minha rotina. Nem sempre foi fácil esperar. Nem sempre foi fácil entender os planos de Deus. Mas, mesmo sem enxergar o caminho por inteiro, algo dentro de mim dizia que eu não deveria desistir.
Ser pai nunca foi para mim apenas um título.
Sempre foi missão, entrega, cuidado, presença, amor verdadeiro. Ser pai, no meu coração, era estar ao lado, proteger, ensinar, abraçar e também aprender. Porque um filho não transforma apenas a casa de alguém — transforma a alma, muda a maneira de ver a vida, dá novo sentido ao amanhã.
Muitas pessoas ainda não entendem a grandeza da adoção.
Pensam que adotar é apenas abrir a porta de casa. Mas não é. Adotar é abrir o coração por inteiro. É dizer “sim” para uma história que já começou, mas que pode ser reescrita com amor, dignidade e esperança. É reconhecer que o amor não depende do sangue para ser verdadeiro. O amor depende da entrega.
E foi assim que esse sonho foi crescendo em mim:
como uma chama acesa por Deus, como uma esperança que se recusava a apagar. Mesmo nos dias de dúvida, eu continuava acreditando. Mesmo quando o silêncio parecia grande demais, dentro de mim ainda existia uma certeza mansa: o meu milagre chegaria no tempo certo.
Eu não sabia o nome, não conhecia o rosto, não imaginava como seria aquele encontro.
Mas, de alguma forma, meu coração já se preparava. Era como se a alma soubesse antes da vida. Como se Deus estivesse, aos poucos, moldando dentro de mim o espaço exato onde esse amor iria florescer.
E enquanto o tempo passava, eu fui entendendo algo muito importante:
a adoção não é apenas a chegada de uma criança em uma família.
É também o nascimento de um pai.
É o encontro de duas histórias que, mesmo vindas de caminhos diferentes, se unem para formar um laço eterno.
Foi nesse processo que comecei a perceber que meu coração já não era mais o mesmo.
Ele estava mais sensível, mais aberto, mais pronto. Já não sonhava sozinho — sonhava com um nome, com uma presença, com risos pela casa, com pequenos passos atravessando os corredores, com um abraço inesperado mudando tudo.
Eu ainda não tinha todas as respostas.
Mas já carregava dentro de mim a maior de todas as certezas:
o amor já existia.
E, às vezes, é assim que Deus trabalha.
Primeiro Ele planta o amor.
Depois, no tempo certo, apresenta o milagre.
Capítulo 1 — Continuação
A vida nem sempre segue o caminho que a gente sonhou.
Muitas vezes, ela nos leva por estradas inesperadas, por esperas silenciosas, por noites de perguntas sem respostas.
E foi assim que a história da paternidade começou dentro de mim: primeiro como um sonho, depois como um vazio, e por fim como uma esperança que se recusava a morrer.
Durante muito tempo, ser pai foi um desejo guardado no mais profundo do meu coração.
Não era apenas a vontade de ter uma criança em casa.
Era o desejo de cuidar, de proteger, de orientar, de amar alguém com um amor que fosse além das palavras.
Era querer deixar um legado de afeto, presença e compromisso.
Mas o tempo passou, e junto com ele vieram as incertezas.
Vieram os dias em que eu me perguntava se esse sonho realmente se realizaria.
Vieram os momentos em que a esperança parecia pequena diante da realidade.
Ainda assim, dentro de mim, algo permanecia aceso.
Uma chama mansa, mas firme.
Uma certeza que eu não sabia explicar, apenas sentir: a de que meu coração já estava sendo preparado para alguém.
Talvez a paternidade comece assim.
Não no nascimento.
Não no sangue.
Não no sobrenome.
Mas no amor que se dispõe.
Na alma que se abre.
Na decisão silenciosa de estar presente, de acolher e de permanecer.
Antes mesmo de segurar meu filho nos braços, eu já estava aprendendo o que era ser pai.
Ser pai, eu descobri, começa quando o coração faz espaço.
Quando a vida da gente deixa de girar apenas em torno de si mesma e passa a querer ser abrigo para outro ser.
Pai é aquele que escolhe amar, mesmo sem garantias.
É aquele que decide ficar, mesmo quando o caminho exige coragem.
É aquele que entende que amar também é renunciar, proteger, ensinar e caminhar lado a lado.
E foi nesse processo, entre espera, silêncio e fé, que algo em mim começou a mudar.
Eu já não era o mesmo homem.
O sonho da paternidade não apenas habitava meus pensamentos; ele moldava minha alma.
Eu estava sendo transformado por uma promessa que ainda não podia tocar, mas que já podia sentir.
Havia dias em que eu imaginava como seria esse encontro.
Como seria ouvir uma voz me chamando de pai.
Como seria segurar pequenas mãos.
Como seria olhar nos olhos de uma criança e entender que ali estava um pedaço do céu confiado à minha responsabilidade.
Esses pensamentos não me enfraqueciam.
Ao contrário, me fortaleciam.
Porque me faziam entender que o amor verdadeiro nasce muitas vezes antes do encontro.
Ele nasce na espera.
Nas orações.
Nos desejos mais sinceros.
Nas lágrimas escondidas.
Na coragem de continuar acreditando quando tudo parece distante.
Final do Capítulo 1
Hoje eu entendo que aquele sonho nunca foi em vão.
Cada espera teve um propósito.
Cada silêncio me preparou.
Cada lágrima regou o solo do amor que um dia floresceria de forma tão profunda dentro de mim.
A paternidade, antes de ser um acontecimento, foi um chamado.
Antes de ser um título, foi uma transformação.
Antes de ser realidade, foi fé.
E assim terminou o primeiro capítulo da minha história com a paternidade:
não com respostas prontas,
mas com o coração de pé,
cheio de amor,
e pronto para viver o milagre de escolher ser pai.
Ademi Gomes
Enviado por Ademi Gomes em 22/03/2026
Alterado em 31/05/2026


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