Ademi Gomes

Só Deus é perfeito

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Capítulo 01 O Sonho
Capítulo 1 — O Sonho
O sonho não nasceu de repente.
Ele foi crescendo devagar, como planta em chão seco que, mesmo sem muita água, insiste em viver.
Desde muito jovem, eu já carregava dentro de mim o desejo de ser pai.
Sou o sétimo entre treze filhos do casal Manoel Carolindo e Dona Mocinha.
Nossa história começou na roça, no sertão do Ceará — onde o sol é forte, a terra é dura, mas o coração da gente aprende cedo a ser resistente.
Foi ali, entre poeira, simplicidade e luta, que comecei a me entender como gente.
E junto com esse entendimento, nasceram meus primeiros sonhos.
Entre todos eles, um sempre falava mais alto: o de ser pai.
Quando cheguei à maioridade, esse desejo deixou de ser apenas um pensamento distante e passou a morar dentro de mim todos os dias.
Eu via uma mãe segurando seu filho, um pai caminhando de mãos dadas com uma criança, ou até mesmo uma família reunida… e, sem perceber, eu me colocava naquele lugar.
Eu me imaginava ali.
Cuidando.
Protegendo.
Amando com um amor que eu ainda nem conhecia, mas já sentia.
E havia algo dentro de mim que eu nem sabia explicar direito.
Não sei se era inveja ou ciúme… talvez fosse apenas a falta falando mais alto.
Mas, quando eu via um pai ou uma mãe fazendo carinho em seu filho, meu coração apertava.
Eu ficava enciumado.
Não era um sentimento ruim — era um vazio querendo ser preenchido.
Era como se, por dentro, eu dissesse em silêncio:
“Eu também quero viver isso… eu também quero dar esse amor.”
Havia momentos em que esse sentimento falava tão forte que eu procurava formas de vivê-lo, mesmo que de longe.
Frequentava orfanatos, não por curiosidade, mas por necessidade do coração.
Eu ia só para ver aquelas crianças… observar seus olhares, seus sorrisos tímidos, suas carências silenciosas.
E, em silêncio, algo dentro de mim dizia:
“Um dia, eu vou ser pai.”
Até nas coisas mais simples, esse sonho se fazia presente.
Quando eu passava por uma loja de roupas infantis em um shopping, meus olhos não viam apenas vitrines — viam possibilidades.
Eu me pegava imaginando:
“Essa roupinha ficaria linda no meu filho…”
E ali, parado diante de pequenos tecidos, eu construía grandes sonhos.
O tempo passava, mas o sonho não diminuía.
Pelo contrário… ele crescia.
Se fortalecia.
Criava raízes profundas dentro de mim.
Porque alguns sonhos não são apenas desejos.
São chamados da alma.

E quanto mais o tempo passava, mais esse chamado ganhava voz dentro de mim.
Não era um grito — era um sussurro constante, desses que não deixam a gente esquecer quem é… nem para onde quer ir.

Na correria da vida, entre trabalho, responsabilidades e os caminhos que fui trilhando, esse sonho caminhava ao meu lado.
Às vezes silencioso…
Às vezes tão forte que parecia ocupar todo o espaço do peito.

Havia noites em que eu me pegava pensando como seria.
Imaginava um quarto simples, mas cheio de cuidado.
Um berço montado com carinho.
Um cheiro de criança no ar…
E uma vida nova mudando completamente a minha.

Eu me via chegando em casa cansado, mas sendo recebido com um sorriso pequeno — desses que têm o poder de apagar qualquer peso do dia.
Me via aprendendo a ser pai… errando, acertando, mas sempre tentando fazer o melhor.
Porque o amor, quando é verdadeiro, ensina.

E no fundo, bem no fundo, eu já sabia:
aquele sonho não era passageiro.
Ele não estava ali por acaso.

Era como se Deus tivesse plantado dentro de mim uma missão…
E, mesmo sem saber como, quando ou de que forma, eu confiava.

Confiava que, em algum lugar deste mundo, existia uma criança esperando por mim…
Assim como eu, sem saber, já esperava por ela.

E foi nesse misto de espera, fé e desejo que o sonho deixou de ser apenas sonho…
e começou, aos poucos, a se preparar para se tornar realidade.

Porque quando o coração escolhe…
não existe distância, dificuldade ou tempo capaz de impedir.

Ele apenas espera o momento certo —
e, quando esse momento chega,
a vida muda para sempre.
Ademi Gomes
Enviado por Ademi Gomes em 03/05/2026


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