Ademi Gomes

Só Deus é perfeito

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Capítulo 07 - A Chega do Gabriel
Capítulo 07 — A Chegada do Gabriel
Havia um relógio dentro de mim que não marcava horas — marcava saudade do que ainda nem tinha vivido.
Desde o nascimento do Gabriel até o dia de tê-lo nos meus braços, passou-se um mês. Trinta dias que, para qualquer pessoa, poderiam ser apenas dias comuns… mas para mim foram como estações inteiras. Cada manhã acordava com o pensamento nele, cada noite dormia imaginando seu rosto, seu cheiro, o som do seu choro.
Eu sabia que ele viria.
Sabia que, de alguma forma, ele já era meu.
Mas havia algo que ainda me separava desse sentimento completo: o papel, o registro, o meu nome ainda ausente onde o coração já estava escrito.
E isso me inquietava.
Era como amar alguém à distância, sem ainda poder dizer em voz alta: “é meu filho.”

Os preparativos para a viagem trouxeram um pouco de calma para o peito agitado.
Tudo foi organizado com cuidado: dia marcado, horário definido, a companhia aérea escolhida. Cada detalhe parecia um passo a mais em direção a um destino que já estava traçado por Deus.
Mas, ainda assim, a ansiedade não dava trégua.
Era uma espera que apertava o peito e, ao mesmo tempo, o enchia de esperança.

No dia da chegada, o coração parecia não caber dentro de mim.
Fomos para o aeroporto buscá-lo. Eu não estava sozinho — e isso tornava tudo ainda mais especial.
Estava comigo o Édson, que eu já tinha escolhido para ser padrinho. Desde o momento em que decidi ficar com o Gabriel, eu já imaginava quem faria parte daquela história. Porque filho não é só quem nasce… é também quem chega rodeado de amor.
O Édson levou sua esposa, a madrinha.
Foi também o meu companheiro, que esteve ao meu lado em todos os momentos, compartilhando comigo cada dúvida, cada medo, cada esperança.
Éramos um pequeno grupo… mas carregávamos um sentimento imenso.

O aeroporto, naquele dia, parecia diferente.
As pessoas passavam, os avisos ecoavam pelos alto-falantes, as malas iam e vinham… mas, para mim, tudo estava em silêncio. Só existia uma coisa: a chegada dele.
Cada minuto parecia mais longo que o anterior.
Cada movimento ao redor me fazia olhar, esperando que fosse o momento.
E então… foi.

Quando ela chegou…
Quando eu vi aquele pequeno ser sendo trazido até mim…
O mundo parou.
Não havia mais barulho.
Não havia mais espera.
Não havia mais dúvida.

E então, ela o colocou nos meus braços.

Naquele instante…
Eu senti algo que nunca tinha sentido em toda a minha vida.
Não era apenas alegria.
Não era apenas emoção.
Era algo maior.
Era como se meu coração tivesse encontrado, finalmente, o seu lugar.
Como se todas as partes de mim que estavam soltas, de repente, se encaixassem.
Eu olhei para ele… tão pequeno, tão frágil… e, ao mesmo tempo, tão forte, porque já tinha mudado tudo dentro de mim.

Ali, naquele exato momento…
Eu me tornei pai.
Não foi o papel.
Não foi o registro.
Não foi a lei.
Foi o amor.

Segurei ele com cuidado, como quem segura um sonho que finalmente se tornou real.
E dentro de mim, em silêncio, eu fiz uma promessa:
“Eu vou cuidar de você.
Eu vou te proteger.
Eu vou te amar todos os dias da minha vida.”

Aquele mês de espera, aquela ansiedade, aquele vazio que eu sentia…
Tudo fez sentido.
Porque, às vezes, Deus demora…
mas quando entrega…
entrega no tempo certo, da forma mais bonita que existe.

E naquele aeroporto…
Entre abraços, lágrimas e olhares cheios de amor…
Não era apenas a chegada do Gabriel.
Era o começo de uma nova vida.
Ademi Gomes
Enviado por Ademi Gomes em 08/05/2026


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