

Do Sertão a Cidade Grande
CAPÍTULO 1
O MENINO DO SERTÃO Conto neste livro a minha história, uma caminhada entre o sofrimento e as alegrias, onde cada passo deixou marcas profundas na minha vida. Nada do que está aqui escrito foi inventado; são lembranças vividas, sentidas e guardadas ao longo do tempo. Cada capítulo carrega um pedaço da minha vida, desde os dias difíceis até as pequenas vitórias que conquistei e que me ensinaram a seguir em frente. Escrevo estas páginas para revisitar o passado, honrar quem fez parte da minha trajetória e reconhecer que, apesar das dores, sempre houve motivos para agradecer. Este livro não é apenas um relato pessoal, mas um testemunho de fé, resistência e esperança. É a prova de que, mesmo nas estradas mais duras da vida, é possível encontrar luz no fim do túnel, amor e alegria. Sou cearense. Nasci no coração do Sertão, em um lugar chamado Baixa Grande, onde o sol parecia nascer mais cedo e se pôr mais devagar. Foi ali que nasci, cresci e vivi até os meus quatorze anos. Eu era um menino curioso, de olhar atento, que adorava correr pelos caminhos de terra batida, sentir o cheiro do mato e ouvir os cantos dos pássaros que anunciavam, a cada amanhecer, um novo dia. Em meio à terra seca e ao sol escaldante, a vida era simples. A vegetação, castigada pelo sol intenso, ardia de tanto calor, e o chão, ressecado, chegava a rachar. A água era tirada das cacimbas para o uso doméstico e para matar a sede dos seres viventes. A única árvore que parecia resistir bravamente à seca era o juazeiro. Foi nesse lugar que vivi minha infância, entre sonhos, desafios e esperança. A vida na roça não era fácil, mas eu enxergava beleza em tudo. Havia beleza até nas coisas mais simples, porque era tudo o que eu conhecia. Eu acordava antes do sol para ajudar no curral. Enquanto a casa ainda estava silenciosa, eu ajudava a tirar o leite e também buscava água na cacimba. No caminho, eu ia chutando as pequenas pedras que encontrava pelo chão. Naquele tempo, eu não sabia, mas talvez já estivesse aprendendo uma das maiores lições da minha vida: cada pedra no caminho poderia ser um pequeno desafio, e cada desafio poderia ser vencido. Assim, entre a terra seca, o calor do Sertão, a simplicidade da vida e os sonhos de um menino, fui construindo, pouco a pouco, a minha história. As brincadeiras e as festas da minha infância De short gasto, eu brincava com meu carrinho feito de madeira ou de caixinhas de fósforo. Brincava também de esconde-esconde, que era outro tipo de brincadeira que existia. Também existia uma brincadeira que era empurrar rodas velhas de caminhão. Eram poucos os brinquedos que tínhamos, mas bastava. Naquela época, eu acreditava que o mundo se resumia a tudo o que acontecia naquele lugar. Era ali que estavam as minhas brincadeiras, minhas alegrias e tudo aquilo que fazia parte da minha infância. Eu gostava muito também das épocas de festas, como, por exemplo, as festas juninas. A gente fazia fogueiras, dançava quadrilha, havia a tradição de se batizar na fogueira, comia-se muito milho verde, batata-doce assada, e tudo era motivo de muita diversão. Outra época muito bonita era a Semana Santa. Os moradores tinham o costume de fazer jejum e ir de casa em casa pedindo esmola. Comia-se muito bolo, grude, tapioca e beijo, e não se comia carne. Eram tempos simples, mas, para mim, eram tempos de muita alegria. Mesmo com poucos brinquedos e poucas coisas materiais, havia diversão, havia união e havia uma maneira simples de viver que ficou guardada para sempre na minha memória. Meu pai, Sr. Carolindo, era um simples lavrador, e minha mãe, Dona Mocinha, dona de casa. Ela acordava cedo, antes da aurora, para acender o fogão de lenha. O cheiro do café, feito no coador de pano, espalhava-se pela pequena casa de sala, quarto e cozinha, construída de taipa. Meu pai saía em busca de trabalho para trazer o pão de cada dia. Nas terras secas, por falta de chuva, não havia muito trabalho. Era difícil plantar o feijão e o milho, pois a terra precisava da chuva para produzir. A vida era simples e difícil, mas era a vida que conhecíamos e, dentro daquela pequena casa, vivíamos com o que tínhamos. Nós, os filhos, ainda todos crianças, pouco podíamos ajudar. Fazíamos o que estava ao nosso alcance: os maiores cuidavam dos menores, e buscávamos água na cacimba, em cabaças, e também lenha no mato. Éramos uma família grande. Eu sou o sétimo filho de treze — três morreram ainda bebês. A vida não era fácil. As dificuldades pareciam não ter fim. Como todos nós ainda éramos pequenos, cabia ao meu pai o peso de sustentar a casa, de garantir ao menos um pouco de comida sobre a mesa. Minha mãe, com mãos calejadas e olhar cansado, cuidava de nós como podia, dividindo o pouco que tinha com muito amor. Nada se desperdiçava. Cada pedaço de bolacha ou de tapioca, cada gole de água, cada dobra tinha valor. Aprendemos cedo que sobreviver era um esforço coletivo, feito de silêncio, obedecendo à esperança. Crescemos vendo o sacrifício diário dos nossos pais, que enfrentavam o sol forte, a terra seca e as incertezas do amanhã, sem nunca perder a fé. Mesmo na escassez, havia união. À noite, quando o trabalho dava trégua, nos reuníamos em volta da sala, numa mesa feita de palha de carnaubeira, para um simples jantar — isto é, quando havia comida. Se não, a gente ia dormir com fome mesmo. Ali, entre histórias contadas em voz baixa, encontrávamos forças para seguir mais um dia. Meu pai acordava antes do sol nascer. Quando ainda era madrugada, ele já estava de pé, preparando-se para enfrentar mais um dia, na esperança de conseguir um trabalho na roça. Saía em silêncio, para não acordar a gente, levando consigo a esperança de voltar com alguma coisa para nos matar a fome, o cansaço estampado em seu rosto. O Sertão não perdoava: a terra rachava e apertava o coração. Quando a chuva demorava, o medo se instalava dentro de casa, silencioso, andando entre nós como um visitante indesejado. Ainda assim, aprendemos a resistir. Brincávamos com o que havia, incentivando a alegria onde quase nada existia. Foi ali, naquela infância dura, que comecei a entender a vida. Cada dificuldade enfrentada, cada ausência sentida, cada perda sofrida foi moldando quem eu viria a ser. O sofrimento nos ensinou a ter força, a pobreza, a ter dignidade, e a família, mesmo ferida pela dor, nos ensinou a amar.✅ Quando a seca apertava de vez, o pouco verde desaparecia, os animais enfraqueciam, assim como nós, seres humanos. O barulho do vento passava pela terra seca, levantando poeira, anunciando os dias difíceis que teríamos que enfrentar. Meu pai ficava mais calado, pensando nas dificuldades que ia passar, em nós que teria que alimentar. Minha mãe rezava em silêncio, pois a única esperança era a fé. A fé era o que nos mantinha de pé. Mesmo assim, havia momentos de alegria. Um inverno melhor, uma chuva inesperada, um prato de comida. Essas pequenas vitórias eram celebradas como grandes acontecimentos. A união da família nos fazia esquecer, ainda que por pouco tempo, a dureza da vida. Com o passar dos anos, fomos crescendo, e as responsabilidades também cresceram conosco. A necessidade nos empurrava para a maturidade antes da hora. A adolescência chegou sem aviso, trazendo junto o desejo de mudança, de conhecer outros caminhos além do horizonte seco do Sertão. Dentro de mim, nascia a certeza de que aquele lugar não era para mim, mas não seria o único lugar da minha história. As histórias do Sertão eram reais — fortes, profundas —, mas o futuro me chamava para além dele. Quando aparecia trabalho para o meu pai, ele não recebia o pagamento em grana, e sim em forma de alimento. Era uma troca: você trabalhava e o patrão pagava com alimento — feijão, farinha e milho. Muitas vezes, a própria pessoa que o contratava também tinha muito pouco. Tinha dia que o serviço acabava e meu pai voltava para casa só com o que dava para trazer: a farinha, um pouco de café e a rapadura. Minha mãe, calada e forte, fazia o café, adoçava com a rapadura e colocava numa caneca feita de barro. Para cada um de nós, ela colocava um pouco de café e um pouco de farinha, fazia uma espécie de pirão. Era o nosso almoço e jantar. E muitas vezes era assim que a gente seguia em frente, com a fé e o amor que tínhamos em Deus. A gente dormia cedo, para esquecer a fome, mas com o coração firme. Antes de deitar, nossa mãe fazia o sinal da cruz e pedia a Deus que, no outro dia, tivéssemos um dia melhor, com um pouco mais. E assim os dias iam se passando, um depois do outro, na luta, na fé e na confiança de que Deus não nos abandonasse. Quando não tinha inverno, a terra rachava, o verde desaparecia, e a esperança desaparecia no calor do Sertão. Nesses tempos difíceis, meu pai se virava como podia: ia para o mato caçar preá, tatu — qualquer animal que servisse para nos alimentar. Em casa, minha mãe fazia milagres com o que meu pai conseguia caçar. Ela fazia um tempero e cozinhava com bastante caldo, fazia um pirão e nos servia com um pedaço da carne daquele animal que meu pai conseguia pegar no mato. Nós, ainda crianças, aprendemos muito cedo o valor da partilha e da gratidão. No Sertão, a fartura não existia, mas a união da família era o que nos mantinha de pé, esperando o dia em que tivéssemos inverno novamente. As dificuldades foram muitas, mas o que mais me marcou foi a coragem do meu pai. Para mim, aquele homem simples, de mãos calejadas e coração imenso, foi — e sempre será — meu herói. A maioria dos moradores da comunidade era composta por pessoas simples, dedicadas à lavoura de subsistência, que tiravam da terra o seu sustento e o de suas famílias. As casas eram construídas de forma artesanal, com estacas e varas amarradas com cipó, preenchidas com barro, evidenciando a rusticidade e a simplicidade da vida naquela comunidade. O chão batido servia de piso, e o telhado quase sempre era de palha de carnaubeira ou de telhas velhas, que mal nos protegiam do sol forte e das chuvas quando tínhamos inverno. Dentro da casa, não 🙂↔️ tínhamos móveis. A gente usava troncos de madeira para sentar. A nossa mesa era tipo um tapete feito de palha, que se estendia no chão, e ali a gente sentava para comer. Quando a comida não dava para todos, a minha mãe cozinhava o feijão na água e sal e, depois de cozido, misturava a farinha e fazia bolinhos amassados na mão e nos dava. Naquela época, o governo abriu frentes de trabalho na estrada que estava sendo construída na região. Mas nem todos conseguiam trabalho nessas frentes; era muita politicagem. Muitos ficavam à espera de uma chance que nunca chegava. Também havia distribuição de alimentos, mas o que chegava até a gente era o resto do resto. A melhor parte ficava com os comandantes, os poderosos, os políticos.✅ Enquanto isso, o povo seguia resistindo como podia. As famílias dividiam o pouco que tinham. A fome não fazia barulho, mas doía em silêncio. As crianças aprendiam cedo a conviver com a escassez, e os adultos carregavam no rosto a marca do sol, do cansaço e da injustiça. Não era falta de coragem nem de vontade de trabalhar; era falta de oportunidade. Ainda assim, o povo não desistia. Seguia em frente, confiando que um dia o inverno viria, a terra voltaria a verdejar e a dignidade chegaria junto com a chuva. Lembro da minha mãe, muitas vezes com os olhos marejados, tentando esconder as lágrimas. Ela chorava por ver a gente pedir comida e ela sem ter o que nos dar. Mesmo assim, ela nos abraçava, como se aquele abraço pudesse matar a nossa fome. Voltando ao lugar onde nasci, Baixa Grande, havia só duas casas de alvenaria. Uma delas era a casa grande, onde um tio meu, o tio Gerniel, era o responsável por tomar conta de um pequeno rebanho de gado que, quando tinha, ele trazia da Caatinga e alojava nessa casa durante o inverno. Cresci observando os adultos ao meu redor enfrentarem a seca e suas consequências. Desde muito cedo, eu sentia, lá no meu coração, que aquele lugar não era para mim; algo guardava o meu destino. Ainda criança, eu olhava o horizonte seco e pensava que o destino iria me oferecer algo melhor, algo que fosse maior que aquilo que eu estava vivendo. Falava sempre para minha mãe que, um dia, eu iria morar na cidade grande — e estudar, trabalhar, vencer — e comprar uma casinha para tirar ela da roça. Esse era o meu maior sonho: libertar minha mãe daquele pedaço de chão sem perspectiva, onde o tempo parecia ter parado e o futuro nunca chegaria. Nesse mesmo lugar, em uma das casas de alvenaria, morava uma outra família que também cuidava de um pequeno rebanho de gado. O chefe da família era o Sr. Venâncio, que tinha três filhos. Um dia, meu pai foi fazer um trabalho para este senhor, e eu fui com ele. Ao chegar lá, conheci os meninos, que eram um pouco mais velhos do que eu, mas nem tanto — o mais velho deveria ter uns treze anos, e os outros dois, onze e dez. Eu tinha oito anos. Fiz amizade com eles rapidamente. No fim do dia, quando meu pai terminou o serviço e me chamou para irmos embora, eu não quis voltar para casa com ele. Os meninos foram até o meu pai e pediram para eu ficar. Diálogo As crianças: — Seu Carolindo, o Sr. deixa o Ademi ficar com a gente? Sr. Carolindo: — Você quer, meu filho? Ademi: — Quero. Sr. Carolindo: — E os pais de vocês vão deixar? As crianças: — Nós vamos pedir para eles. As crianças: — Pai, o Ademi pode ficar aqui com a gente? Sr. Venâncio: — Por mim, pode, mas vocês têm que pedir à mãe de vocês também. (As crianças correm até a mãe.) As crianças: — Mãe, o Ademi pode ficar com nós? Dona Maria: — Pode. E o pai de vocês deixou? As crianças: — Deixou. Dona Maria: — Então, tudo bem. Então ficou tudo resolvido; eu ficaria. Meu pai voltou para casa. Os dias se passaram e nada de eu voltar para casa.✅ Chegando em casa, minha mãe perguntou por mim. Mocinha: — Cadê o Ademi, Manoel? (O nome do meu pai era Manoel Carolindo Gomes.) Carolindo: — Ficou na casa do Venâncio. Mocinha: — Você deixou? Carolindo: — Ora, mulher, deixei. Depois vou buscar ele. Mocinha: — Tá bom. Quando meu pai resolveu ir me buscar, eu não quis mais voltar. Daí fiquei morando com esta família por um tempo, até conhecer outra família, que morava em outro lugar — era a família do Sr. Joaquim. Um dos filhos casou e me chamou para morar com ele. Morei também por algum tempo. Diálogo Lúcio — filho do Sr. Joaquim: — Ademi, quer morar comigo? Ademi: — Quero. Lúcio: — Então vou falar com seu pai. Alguns dias se passaram, e Lúcio foi até a casa onde meus pais moravam. Lúcio: — Boa tarde, Seu Carolindo e Dona Mocinha. Sr. Carolindo e Dona Mocinha: — Boa tarde. Lúcio: — Eu vim aqui conversar com o Sr. e com a Sra. sobre o filho de vocês, o Ademi. Eu perguntei se ele gostaria de morar comigo, e ele disse que sim. Agora eu gostaria de saber do Sr. e da Sra.: deixam ele ir morar comigo? Sr. Carolindo e Dona Mocinha pensaram um pouco. Sr. Carolindo e Dona Mocinha: — Se ele quer, tudo bem. Então ficou combinado que eu iria morar com o Lúcio. Como a gente não tinha um lugar certo para morar, a gente vivia igual a cigano: um dia a gente estava em um lugar, outro dia em outro. O meu pai conseguia um pedacinho de terras com quem tinha, e ali ele fazia a nossa casinha de taipa. Outra passagem da minha vida no Sertão foi quando contraí sarampo — quase morri. Fiquei muito mal. Como não havia médico no Sertão, éramos tratados com remédios caseiros e receitas passadas de boca em boca.✅ Lembro que a minha mãe me dava, como vitamina, um guaraná de nome Uilsin, que meu pai comprava na cidadezinha mais próxima da comunidade. A febre era tão alta que eu delirava. Desde cedo, sempre fui uma criança aventureira, curiosa com o mundo e procurava ser amigo de todos que conhecia. Aos doze anos, conheci uma nova família — a do senhor Oswaldo — que morava em um lugar chamado Cravoeiro, no coração da Caatinga. Eles eram gente muito boa, vindos do Acaraú, e um dos parentes do Sr. Oswaldo morava em Fortaleza: era o pai. Certo dia, o Sr. Raimundo, pai, foi visitá-lo. Durante uma conversa, ele olhou para mim e me perguntou: Sr. Raimundo: — Você quer ir morar comigo em Fortaleza? Naquele instante, meu coração bateu mais forte, pois era o momento de eu realizar o meu sonho. Não pensei duas vezes. Ademi: — Quero. Antes mesmo de combinar a viagem, o Sr. Raimundo me contou como era Fortaleza. Sr. Raimundo: — Ademi, Fortaleza é uma cidade muito grande, muito diferente deste lugar, uma cidade cheia de luzes, com ruas, muitas casas, prédios altos e muitos carros andando nas ruas. Cada palavra que ele falava me dava mais desejo de ir morar numa cidade grande, conhecer um mundo novo. Então, o meu sonho começava a se tornar realidade: sair em busca de uma nova vida e realizar o meu maior desejo — dar a casinha da minha mãe, para que ela nunca mais precisasse viver no Sertão. Nesta época em que o Sr. Raimundo me convidou para ir morar com ele, meus pais moravam em outro lugar, de nome Oiticica, numa casinha à beira da estrada principal. O Sr. Raimundo combinou com o Sr. Oswaldo o dia da viagem. Toda semana, às quintas-feiras, passava um ônibus que fazia a linha Acaraú-Fortaleza e fazia a rota por Oiticica. Foi decidido que eu pegaria este ônibus e seguiria para Fortaleza — rumo ao desconhecido, mas cheio de esperança no coração. Sr. Raimundo: — Oswaldo, na quinta-feira, vai colocar você no ônibus, e ele mesmo vai pagar a passagem. Oswaldo: — Tá bom, pai. Ademi: — Tá bom, seu Raimundo. Como combinado, o Oswaldo me colocou no ônibus, e ali eu estava dentro do ônibus, rumo a Fortaleza, conforme sonhei. Tudo era novidade — o coração acelerado, as mãos suadas, o olhar curioso diante do desconhecido, pois eu nunca tinha andado de ônibus, e ali eu estava dentro de um, prestes a deixar para trás um mundo que eu não queria viver, para me aventurar na imensidão da cidade grande. A bagagem era pouca, praticamente nada, mas o coração estava cheio de esperança — de sonhos, mas também de medo e de coragem. Quando o motor roncou, senti que a minha vida estava prestes a mudar para sempre. O ônibus seguiu, fazendo pequenas paradas, pegando passageiros. Acredito que, assim como eu, alguns estavam indo à procura de um futuro melhor. Ao entrar na rodovia, o motorista fez uma parada bem em frente à casa onde minha família morava. Naquele momento, o meu coração apertou. Logo me escondi embaixo da poltrona para que eles não me vissem. Não queria que percebessem que eu estava dentro daquele ônibus, pois partia em silêncio, mas levava comigo o amor e a saudade da minha família, que ficava para trás e era a minha principal riqueza. Para mim, a cidade grande representava esperança, oportunidade — a chance de ser alguém na vida, de estudar, trabalhar e, quem sabe, me tornar um doutor. Eu sabia que existiam possibilidades infinitas que a cidade grande podia me oferecer. Parti em viagem rumo a outro mundo: Fortaleza. Na bagagem, levava esperança e, na minha cabeça, aquilo era uma grande aventura para um adolescente de quatorze anos. Durante o percurso, o ônibus foi ficando lotado de pessoas — alguns sentados e outros de pé. Pela janela, eu prestava atenção em tudo o que acontecia do lado de fora. Ao chegar a Fortaleza, não era uma rodoviária. Era um local parecido com uma loja, onde o ônibus parou em frente para os passageiros descerem. Ficava em uma praça, como a Praça do Ferreira. Foi um verdadeiro choque de realidade. Logo na entrada da cidade, percebi a diferença entre o lugar onde nasci e o lugar onde estava chegando. Tudo era diferente do que eu já tinha visto. A cada momento, eu ficava mais maravilhado com tudo o que via: carros, prédios e tanta gente. O barulho e a imensidão da cidade me impressionavam. Mas eu estava determinado a fazer o meu sonho valer a pena. Tudo era novidade. O Sr. Raimundo tinha falado que um dos filhos ia me buscar, e quem foi me buscar foi o Ozete. Diálogo Ozete — (botou a mão no meu ombro e perguntou) — Ademi? Ademi — (assustado) — Sou eu. Ozete — Sou o Ozete, filho do Sr. Raimundo. Vim te buscar. Ademi — Tá bom. Eu, ainda assustado, sem saber muito o que fazer, olhava para todos os lados. Nós nos apresentamos um ao outro e seguimos para pegar outro ônibus, rumo à casa que ficava no bairro de São Geraldo, onde seria a minha mais nova moradia. Durante o percurso da rodoviária até a casa, eu não sei se estava com medo ou feliz. Só sei que estava muito assustado com tudo o que via. Eu era um verdadeiro matuto. Não entendia nada; era tudo muito diferente daquilo com que eu havia convivido na roça. Eu estava na cidade. Chegando em casa, fui recebido com aquele ar de superioridade, como se eu fosse diferente de todos aqueles que ali estavam, como se eu fosse um zé-ninguém, inferior a eles. Mandaram-me para os meus aposentos: um quartinho nos fundos da casa.✅ Muito matuto. “Matuto é aquela pessoa que nasceu na roça.” No dia seguinte, conheci toda a família. Era uma família de classe média alta. Quando o senhor Raimundo me fez o convite para morar com ele, disse que era para trabalhar em um comércio que ele tinha, um bar. Mas, na realidade, acabei trabalhando como empregado da casa, fazendo serviços domésticos. Também ajudava a Dona Alda, esposa do senhor Raimundo, a fazer coxinhas, que ela preparava e vendia para bares e festinhas. Além de fazer os salgados, eu ajudava a Chica, a empregada da casa, nos afazeres domésticos. Só entrava dentro da casa quando era solicitado.✅ Morei e trabalhei para aquela família durante cinco anos. Não recebia salário, apenas alguns cruzeiros que me davam de vez em quando. Com esse dinheiro, eu comprava minhas coisinhas, como roupas, por exemplo. Na mesma rua morava outra família. Um dos filhos, Orlando, morava no Rio de Janeiro e era sargento do Colégio Militar. Era fim do ano de 1977 quando ele foi passar as férias em Fortaleza com a família. Foi de carro, um Chevette, acompanhado de dois amigos que estudavam no colégio: Édson e Guto. Eu já havia comentado com Dona Alda sobre o desejo de ir morar em São Paulo. Ela aproveitou a ida do Orlando para pedir uma carona para mim até o Rio. Diálogo Dona Alda: — Ademi, você realmente quer ir embora para São Paulo? Ademi: — Quero, sim, senhora. Dona Alda: — Então, vou falar com o Orlando e saber com ele se pode te dar uma carona até o Rio. Apesar de ter sido uma família que tratava as pessoas da roça como inferiores, Dona Alda era a única diferente. Era uma pessoa humilde. Ela foi até a casa da família do Orlando e falou com ele. Dona Alda chegou à casa, bateu palmas no portão e, logo, apareceu uma moça. Era a irmã do Orlando, a Verônica. Diálogo Verônica: — Tá sim, vou chamá-lo. Orlando: — Boa tarde, Dona Alda. A senhora gostaria de falar comigo? Dona Alda: — Gostaria, sim. Orlando: — (Puxa uma cadeira.) — Por favor, sente-se. Dona Alda: — (Se acomoda e vai direto ao assunto.) — Na minha casa trabalha um rapaz que gostaria de ir embora para São Paulo. Como você está de carro, gostaria de saber se você daria uma carona para ele até o Rio. De lá, ele pegaria um ônibus para São Paulo. Orlando: — (Sorridente.) — Claro, Dona Alda, sem problemas. Dona Alda: — Muito obrigada. Vou falar com ele. De volta para casa, ela me deu a notícia. Dona Alda: — Ademi, tudo certo. O Orlando vai te dar uma carona até o Rio, e lá você vai de ônibus até São Paulo. Ademi: — Tá certo, Dona Alda E assim ficou decidido: minha ida para São Paulo Naquele tempo, eu já estava com dezenove anos, e tinha a chance de, mais uma vez, mudar de vida. Eu sabia que seria uma mudança drástica — dessas que podem transformar tudo ou simplesmente dar tudo errado. Mesmo assim, eu tinha que arriscar e tentar. Eu já tinha alguns parentes em São Paulo, mas não mantinha contato com eles. Dona Alda tinha o contato de um ex-funcionário do bar que havia trabalhado com o Sr. Raimundo. Então, Dona Alda me deu o endereço dele e o contato telefônico. Como eu não recebia salário, não tinha dinheiro guardado. Lembro que Dona Alda me deu seis notas de dez cruzeiros — que, acho, hoje equivaleriam a uns seiscentos reais. Foi um gesto simples, mas que me encheu de gratidão. Arrumei as poucas coisas que eu tinha e coloquei tudo em uma mochila de jeans velha. Despedi-me em silêncio, pois eu não tinha ninguém para dar adeus, deixando para trás a minha única riqueza: a minha família. Partimos rumo ao Rio de Janeiro. Éramos cinco pessoas: eu, Orlando, Édson, Guto e um irmão do Orlando. Édson e Guto eram cariocas e estudantes do Colégio Militar. A estrada parecia não ter fim. Foram três dias de viagem, parando nos postos apenas para descansar. Mas só quem dormia nos pequenos quartos era o Orlando, pois era ele quem dirigia. Nós dormíamos dentro do carro mesmo. Quando finalmente chegamos ao Rio, o sol já estava desaparecendo. Parecia nos dar as boas-vindas. Fomos direto para a casa da família do Édson, onde começaria mais um capítulo da minha vida. Chegando ao Rio, fomos direto para a casa da família do Édson. Orlando me apresentou à família. Diálogo Orlando: — Boa noite, seu Sebastião e dona Jacir. (Sr. Sebastião e dona Jacir eram os pais do Édson.) Sr. Sebastião e dona Jacir: — (Juntos) Boa noite, Orlando. Sr. Sebastião tinha uma deficiência devido a um derrame. Gostava de ficar sentado em sua cadeira, ouvindo o seu radinho de pilha. Então, Orlando começou a falar sobre mim. Orlando: — Seu Sebastião, eu preciso lhe fazer um pedido, mas antes quero dizer que deu tudo certo com seu filho durante a viagem. Sr. Sebastião: — Obrigado. Orlando: — Veio com a gente este rapaz. (Chamou-me até eles e me apresentou.) Este é o Ademi. Sr. Sebastião: — Tudo bem, Ademi? Ademi: — (Sem graça e desconfiado) Boa noite.✅ Orlando: — Ele veio de carona com a gente. Ele não veio para ficar aqui; na realidade, vai para São Paulo. Como já está tarde, acho melhor ele ir somente amanhã. Mas não posso levá-lo para dormir no Colégio Militar. Será que ele pode dormir aqui hoje? Amanhã cedo, eu o pego e o levo para a rodoviária. Sr. Sebastião: — Por mim, pode. Mas vou falar com a Jacir. Orlando: — Tá bom. Sr. Sebastião: — Jacir, este rapazinho veio com o Orlando de carona, mas não vai ficar no Rio. Ele vai para São Paulo, mas somente amanhã. Como ele não pode dormir no colégio, Orlando pediu para ele dormir esta noite aqui. Pode? Dona Jacir: — Pode. Tudo certo. Eu dormiria naquela noite. Na mesma noite, o Sr. Sebastião começou a conversar comigo. Sr. Sebastião: — Qual é o seu nome mesmo? Ademi: — Ademi. Sr. Sebastião: — O meu é Sebastião. Muito prazer. Começamos uma longa conversa. Ele me fez várias perguntas. Sr. Sebastião: — Por que você quer ir para São Paulo? Ademi: — Tentar uma vida melhor, trabalhar e estudar. Sr. Sebastião: — Você já sabe onde vai morar? Ademi: — Na realidade, eu tenho até alguns parentes morando em São Paulo, mas não sei onde eles moram. Sr. Sebastião: — Então, como você vai sem ter o contato de alguém? Ademi: — A minha patroa, lá em Fortaleza, me deu o endereço de um conhecido que mora lá. O Sr. Sebastião ficou calado por alguns instantes. Depois, perguntou: Sr. Sebastião: — Você conhece o Carnaval daqui? Era fevereiro, mês de Carnaval. Ademi: — Não, só pela televisão. Sr. Sebastião: — Então, por que você não fica aqui em casa e, depois do Carnaval, vai para São Paulo? Ademi: — Posso? Sr. Sebastião: — Vou falar com a Jacir. Ele falou com dona Jacir, que, mais uma vez, concordou. Era uma família formada pelo Sr. Sebastião, dona Jacir e os filhos: Carlinhos, Marilene, Édson, Mariângela e Marquinhos. No dia seguinte, Carlos e Édson resolveram me levar à praia. Apesar de ter morado algum tempo em Fortaleza, eu nunca havia tomado banho de mar — eu era muito matuto mesmo. Durante o trajeto, passamos pelo Túnel Rebouças. Fiquei tão assustado e com medo, pois nunca tinha passado por baixo do chão. Quando chegamos à Praia de Copacabana, o sol brilhava forte, e a areia estava muito quente, queimando os pés. Entrei na água algumas vezes e saí vermelho como um camarão. Passados alguns dias, aconteceu o Carnaval. Achei tudo maravilhoso. Logo depois, o Sr. Sebastião me chamou para conversar. Fomos ao setor de recrutamento, que ficava em São João de Meriti. Chegando lá, recebi os papéis para preencher. Logo depois, fui informado de que precisava ter, no mínimo, o certificado do Mobral, que era equivalente ao curso primário. Eu não tinha esse certificado, então me pediram para providenciá-lo. Por sorte — ou talvez por providência divina — Dona Jacy tinha uma vizinha chamada Fátima, que trabalhava na Secretaria de Educação. Logo, ela foi falar com ela. Diálogo Dona Jacy: — Fátima, bom dia! Tudo bem? Fátima: — Bom dia! Tudo. Dona Jacy: — Preciso de um favor seu. Fátima: — Pode falar, Dona Jacy. Dona Jacy: — Estou com um garoto morando na minha casa. Ele se inscreveu nas Casas Sendas para trabalhar, mas precisa ter, pelo menos, o curso primário. Você pode me ajudar? Fátima: — Posso, sim. Leve-o amanhã à Secretaria. Dona Jacy: — Está certo. Muito obrigada. No dia seguinte, fomos até a Secretaria, conforme o combinado. Ela ficava na Rua do Lavradio, no centro da cidade. Fiz um teste e, muito prestativa, Fátima providenciou para mim um atestado do Mobral. Voltamos às Casas Sendas e, naquele mesmo dia, saí de lá empregado, na função de repositor. Meu horário de trabalho era das 12h às 22h. Todos os dias, eu chegava em casa por volta da meia-noite, e o Sr. Sebastião sempre abria a porta para mim — um gesto de pai para filho. Posso viver mil anos, mas nunca vou esquecer tamanha generosidade. Deus foi maravilhoso comigo. Se eu não tivesse encontrado a família do Édson, se o Orlando não tivesse ido primeiro deixá-lo em casa, eu não teria conhecido aquela família. Não sei o que teria acontecido comigo. Talvez eu tivesse ficado perambulando pelas ruas de São Paulo.✅ Passaram-se cerca de três meses. Certa noite, ao chegar em casa do trabalho, percebi que havia algo errado, pois quem abriu a porta não foi o Sr. Sebastião, e sim Marilene. Estranhei e perguntei pelo Sr. Sebastião. Diálogo Ademi: — Oi, Marilene, está tudo bem? Marilene: — Não. Ao lado dela estava Maria Antônia, filha de dona Dalila, uma senhora muito querida que trabalhava na casa e que era como se fosse da família. Ademi: — Não? Por quê? Marilene: — Ademi, não tenho boas notícias. Ademi: — Como assim? Marilene: — Meu pai morreu. Fiquei, por um instante, sem acreditar. Quando saí para trabalhar, ele havia ficado bem, como em todos os outros dias. Ademi: — Como assim? Marilene: — Ele teve um derrame. Ademi: — Não acredito! Maria Antônia: — É verdade. Ademi: — E dona Jacy? Marilene: — Está no quarto. Subi e fui até o quarto do casal. Ao chegar lá, encontrei dona Jacy deitada. Então, perguntei: Ademi: — É verdade que o Sr. Sebastião faleceu? Dona Jacy: — É. Naquele instante, a ficha caiu. No dia seguinte, aconteceu o velório. Foi tudo muito triste, pois havia partido o homem que tinha me dado uma oportunidade de construir um futuro. A partir daquele momento, tudo dependia de mim. Trabalhei durante quatro meses na Casa Sendas e, depois, pedi demissão. ❤️Desempregado, comecei a procurar outro trabalho. Fiz alguns outros trabalhos por algum tempo, mas continuei sempre atento aos anúncios de emprego nos jornais. Foi por meio de um desses anúncios que consegui um emprego como contínuo em uma corretora de seguros. Naquela época, eu já conhecia mais ou menos o Rio de Janeiro, o que facilitou minha adaptação e também foi uma condição importante para que eu conseguisse o emprego. Trabalhei durante dezesseis anos nessa corretora. Comecei como contínuo e, com o tempo, cheguei à função de escriturário. Nessa época, eu já não morava mais na casa da família. Estava morando com outra família, a de dona Claudete. Conheci um de seus filhos quando fui receber meu certificado de reservista. Desse encontro nasceu uma amizade. Diálogo Luiz: — Você sabe dar nó em gravata? Ademi: — (Mesmo sem saber) — Sei. Luiz: — Você poderia me ajudar? Ademi: — Posso.✅ Depois de dar o nó na gravata, começamos a bater um papo. Luiz: — Você não é daqui? Ademi: — Não. Luiz: — De onde você é? Ademi: — De Fortaleza. Luiz: — A fila está grande. Ademi: — Está mesmo. Luiz: — Em qual bairro você mora? Ademi: — Na Tijuca. ✅Luiz: — Mora com a sua família? Ademi: — Não. Moro com uma família que conheci aqui. E você? Luiz: — No Riachuelo, com a minha mãe. ✅Depois que saí da corretora, fiquei desempregado, mas fiz alguns bicos. Também realizei algumas viagens ao Paraguai, ajudando uma amiga que organizava excursões. A fila finalmente andou, e continuamos a conversa enquanto esperávamos ser atendidos. Finalmente, fomos atendidos. Trocamos contatos e cada um seguiu seu caminho. No dia seguinte, voltamos a nos falar e marcamos um encontro. A amizade foi crescendo naturalmente. Alguns meses se passaram, e o Duda me convidou para conhecer a casa dele e sua mãe, dona Claudete. Aceitei o convite e fui fazer uma visita.🙏🏻 Diálogo Luiz: — Ademi, esta é minha mãe, dona Claudete. Ademi: — Prazer, dona Claudete. Dona Claudete: — Tudo bem com você? Ademi: — Tudo bem. Dona Claudete: — O Luiz me falou que você mora na Tijuca, com uma família. Como você conheceu essa família? Ademi: — Quando cheguei aqui, vindo de Fortaleza, vim de carona com um conhecido que já morava aqui e estava em Fortaleza de férias. Como eu não ia ficar no Rio, pois iria para São Paulo, e como já era noite, esse conhecido, que já conhecia essa família, pediu que eu dormisse aquela noite na casa deles. Dona Claudete — Ah, tá. E você acabou respondendo que ficaria? Ademi — Sim. Eles me pediram para ficar. Dona Claudete — E morando com eles? Ademi — Sim. Foi o Sr. Sebastião e a esposa dele, dona Jacy, que permitiram que eu ficasse. Eu e Luiz ficamos grandes amigos e sempre nos encontrávamos. Em um desses encontros, conversávamos sobre nossas vidas. Luiz — Você pretende continuar morando na Tijuca? Ademi — Por quê? Luiz — Sei lá… Você poderia querer morar sozinho ou com alguém. Ademi — Talvez. Quem sabe, um dia, eu possa sair de lá para morar com alguém ou até mesmo sozinho. Luiz — Você gostaria de morar com a gente? Ademi — Pode ser. Luiz — Vou falar com minha mãe. Antes de conhecer Luiz, eu era uma pessoa muito solitária. Não tinha amigos e, por isso, aquela amizade que estava começando era uma oportunidade de ter alguém com quem eu pudesse conversar e compartilhar os mesmos assuntos. Ademi — (Pensa por um momento.) Pode ser. Mas será que sua mãe vai concordar? Luiz — Vou tentar. Já estava anoitecendo, e eu precisava ir embora. Ademi — Luiz, preciso ir embora. Está ficando tarde. Luiz — Tudo bem. Despedi-me de dona Claudete e fui embora. Luiz me acompanhou até o ponto de ônibus. Durante a semana, Luiz conversou com a mãe. Luiz — Mãe, eu convidei o Ademi para morar com a gente. Tudo bem? Dona Claudete — Será que vai dar certo, meu filho? Você mal o conhece. Luiz — A gente pode tentar. Ele me parece ser uma pessoa confiável. Dona Claudete — Então, vamos tentar. Luiz — Vou falar com ele. Duda fez contato comigo para contar a conversa que havia tido com a mãe, dona Claudete. Ele não quis me falar por telefone; preferiu que a gente se encontrasse. Então, marcamos um encontro. Diálogo Duda: — Deu tudo certo. Minha mãe deixou você morar com a gente. Ademi: — Que bom! Duda: — E agora, como você vai falar lá na Tijuca? Ademi: — Vai dar tudo certo. Vou falar com eles, e eles vão concordar. A noite já se aproximava quando voltei para casa, com a cabeça cheia de pensamentos. Eu me perguntava se aquilo era o certo e como contaria a novidade a todos. Ao chegar, percebi que nem todos estavam em casa, mas Carlinhos estava. Foi o primeiro com quem falei. Assim como Carlinhos, os outros também já conheciam Duda, inclusive dona Jacy. Diálogo Ademi: — Carlinhos, preciso falar com você. Carlos: — Pode falar, Ademi. Ademi: — O Duda me convidou para morar com ele. O que você acha? Carlos: — (Pensou um pouco.) — Bom, você é quem sabe. Se você quer e acha que é o melhor para você, aceite. Ademi: — Carlinhos, eu quero. Vou tentar. Carlos: — Se é isso que você quer, espero que tudo dê certo. Mas, antes, você deve falar com a mamãe. Porque, se não der certo, você pode voltar. Ademi: — Pode deixar. Vou falar com ela. Naquele mesmo dia, criei coragem e falei com dona Jacy. Meu coração disparava. Diálogo Ademi: — Dona Jacy, preciso falar com a senhora. Dona Jacy: — Fale, Ademi. Ademi: — O Duda me chamou para morar com ele. Dona Jacy: — (Surpresa, após um breve silêncio.) — Olha, por mim, tudo bem… Se é isso que você quer, espero que não se arrependa. Senti em seu olhar que ela não ficou muito feliz. Aquela notícia, embora fosse apenas a notícia de uma mudança de casa, e não de um sumiço, poderia ter causado essa impressão, pois eu não pretendia abandoná-los. Mesmo depois de sair de casa, eu nunca deixaria de visitá-los. Eles eram parte da minha família, uma família de coração que me acolheu com tanto carinho e respeito e me deu o que eu mais precisava naquele momento: apoio. Eu saía de casa, mas jamais sairia de suas vidas. Eu jamais poderia esquecer a família que me recebeu com confiança e generosidade. Sem pensar duas vezes, abriram as portas de sua casa e de seus corações para receber alguém que jamais tinham visto, dando-me abrigo e conforto, mesmo eu sendo um completo estranho, alguém que chegava de outro extremo do país, de outra cultura, trazendo na bagagem apenas sonhos, esperança e vontade de vencer. Eu não tinha estudo nem recursos, mas tinha vontade de vencer e construir um futuro melhor do que aquele que levava em minha cidade natal. Com eles, encontrei o apoio de que precisava. A forma como fui recebido aqui no Rio foi bem diferente daquela de quando deixei a roça e fui para Fortaleza. Lá, fui visto como alguém de qualidade inferior, um matuto vindo do interior, pobre, sem cultura e sem identidade. Aos olhos dos mais favorecidos, eu era a escória de uma sociedade hipócrita — um rosto anônimo entre tantos outros, que apenas sonhava. Os filhos do Sr. Sebastião cresceram e seguiram seus próprios destinos. Carlos se casou e foi morar em Recife. Teve um filho, Daniel. Tempos depois, o casamento não deu certo, e eles se separaram. Carlinhos conheceu outra mulher, Nelma, com quem se casou. Tiveram um filho, David, mas esse casamento também chegou ao fim. Os demais ficaram no Rio. Marilene casou-se com Eyler, e tiveram dois filhos, Eylinho e Tarcila. Édson também se casou, com Mônica, e tiveram um filho, Leandro, meu afilhado. Marcos seguiu os passos do irmão Carlos e foi morar em Recife. Lá, casou-se e teve uma filha, Aninha. Mariângela também se casou e teve dois filhos, Tatiana e Roger. Ela preferiu continuar morando com dona Jacy. Chegou o dia de eu ir embora para morar com o Duda. Lá fui eu para mais uma aventura, para viver mais uma etapa da minha vida, acolhido por mais uma família que me recebia de braços abertos. No começo, eu e Duda éramos apenas bons amigos, mas, com o tempo, fomos percebendo que havia algo a mais entre nós dois. Duda fez contato comigo para contar a conversa que havia tido com a mãe, dona Claudete. Ele não quis me falar por telefone; preferiu que a gente se encontrasse. Então, marcamos um encontro. Diálogo Duda: — Deu tudo certo. Minha mãe deixou você morar com a gente. Ademi: — Que bom! Duda: — E agora, como você vai falar lá na Tijuca? Ademi: — Vai dar tudo certo. Vou falar com eles, e eles vão concordar. A noite já se aproximava quando voltei para casa, com a cabeça cheia de pensamentos. Eu me perguntava se aquilo era o certo e como contaria a novidade a todos. Ao chegar, percebi que nem todos estavam em casa, mas Carlinhos estava. Foi o primeiro com quem falei. Assim como Carlinhos, os outros também já conheciam Duda, inclusive dona Jacy. Diálogo Ademi: — Carlinhos, preciso falar com você. Carlos: — Pode falar, Ademi. Ademi: — O Duda me convidou para morar com ele. O que você acha? Carlos: — (Pensou um pouco.) — Bom, você é quem sabe. Se você quer e acha que é o melhor para você, aceite. Ademi: — Carlinhos, eu quero. Vou tentar. Carlos: — Se é isso que você quer, espero que tudo dê certo. Mas, antes, você deve falar com a mamãe. Porque, se não der certo, você pode voltar. Ademi: — Pode deixar. Vou falar com ela. Naquele mesmo dia, criei coragem e falei com dona Jacy. Meu coração disparava. Diálogo Ademi: — Dona Jacy, preciso falar com a senhora. Dona Jacy: — Fale, Ademi. Ademi: — O Duda me chamou para morar com ele. Dona Jacy: — (Surpresa, após um breve silêncio.) — Olha, por mim, tudo bem… Se é isso que você quer, espero que não se arrependa. Senti em seu olhar que ela não ficou muito feliz. Aquela notícia, embora fosse apenas a notícia de uma mudança de casa, e não de um sumiço, poderia ter causado essa impressão, pois eu não pretendia abandoná-los.✅ Mesmo depois de sair de casa, eu nunca deixaria de visitá-los. Eles eram parte da minha família, uma família de coração que me acolheu com tanto carinho e respeito e me deu o que eu mais precisava naquele momento: apoio. Eu saía de casa, mas jamais sairia de suas vidas. Eu jamais poderia esquecer a família que me recebeu com confiança e generosidade. Sem pensar duas vezes, abriram as portas de sua casa e de seus corações para receber alguém que jamais tinham visto, dando-me abrigo e conforto, mesmo eu sendo um completo estranho, alguém que chegava de outro extremo do país, de outra cultura, trazendo na bagagem apenas sonhos, esperança e vontade de vencer. Eu não tinha estudo nem recursos, mas tinha vontade de vencer e construir um futuro melhor do que aquele que levava em minha cidade natal. Com eles, encontrei o apoio de que precisava. A forma como fui recebido aqui no Rio foi bem diferente daquela de quando deixei a roça e fui para Fortaleza. Lá, fui visto como alguém de qualidade inferior, um matuto vindo do interior, pobre, sem cultura e sem identidade. Aos olhos dos mais favorecidos, eu era a escória de uma sociedade hipócrita — um rosto anônimo entre tantos outros, que apenas sonhava. Os filhos do Sr. Sebastião cresceram e seguiram seus próprios destinos. Carlos se casou e foi morar em Recife. Teve um filho, Daniel. Tempos depois, o casamento não deu certo, e eles se separaram. Carlinhos conheceu outra mulher, Nelma, com quem se casou. Tiveram um filho, David, mas esse casamento também chegou ao fim. Os demais ficaram no Rio. Marilene casou-se com Eyler, e tiveram dois filhos, Eylinho e Tarcila. Édson também se casou, com Mônica, e tiveram um filho, Leandro, meu afilhado. Marcos seguiu os passos do irmão Carlos e foi morar em Recife. Lá, casou-se e teve uma filha, Aninha. Mariângela também se casou e teve dois filhos, Tatiana e Roger. Ela preferiu continuar morando com dona Jacy. Chegou o dia de eu ir embora para morar com o Duda. Lá fui eu para mais uma aventura, para viver mais uma etapa da minha vida, acolhido por mais uma família que me recebia de braços abertos. No começo, eu e Duda éramos apenas bons amigos, mas, com o tempo, fomos percebendo que havia algo a mais entre nós dois. Nosso relacionamento nasceu como um reflexo natural de uma amizade que, aos poucos, se transformou em sentimentos mais profundos. Foi uma descoberta mútua — dois corações que pensavam de forma semelhante e sentiam os mesmos desejos de caminhar lado a lado. Duda, um jovem filho único e também de poucos amigos, encontrou em mim um companheiro ideal para viver um relacionamento. E eu, que também era solitário, encontrei nele o apoio e o afeto de que tanto precisava. Nossa união se tornou essencial em nossas vidas. Nesta data, em 2024, quando comecei a escrever este livro, já haviam se passado 47 anos desde que estamos juntos. Ao longo desse tempo, passamos por vários desafios. A convivência com a mãe dele, dona Claudete, teve altos e baixos. Às vezes, era intensa e difícil; outras vezes, doce e acolhedora. Talvez houvesse também um pouco de ciúme que ela sentia pelo filho. Ela era do tipo que vivia entre o amor e a rejeição, mas, no fundo, eu sabia que gostava de mim. Quando descobri que estava com hepatite, foi ela quem mais se preocupou. Cuidou de mim com muito carinho e preocupação, como se eu fosse parte da família. O tempo passou e, um dia, foi ela quem ficou doente. Descobriu que estava com câncer, lutou com muita coragem, fez o tratamento e conseguiu se recuperar. Viveu bem por mais cinco anos, mas, infelizmente, a doença voltou. Dessa vez, por mais que lutasse, seu corpo não resistiu à doença. A partir daí, éramos apenas eu e Duda. Minha Vida Pessoal A homossexualidade só foi assumida por mim aos dezenove anos, quando conheci o Duda. Na adolescência, eu ainda não tinha ideia do que significava ser homossexual. Apesar de olhar para outros meninos com um olhar diferente, ao mesmo tempo eu tinha consciência do que sentia. Com as meninas, eu também me sentia à vontade e tinha sentimentos por elas. Com o passar do tempo, meninos e meninas passaram a ter mais informações sobre relacionamentos e sobre a própria sexualidade. Naquela época, porém, eu ainda estava tentando compreender os meus próprios sentimentos. Aos dezesseis anos, fui abusado por um rapaz, e outras tentativas de abuso aconteceram depois. Mas não foi por causa disso que me tornei homossexual. O que eu sentia já existia dentro de mim, e continuava sentindo atração e carinho por meninas. Tanto que tive duas paixões na adolescência. Da primeira, não me lembro do nome. A segunda se chamava Nazaré, uma vizinha. Ela, porém, nunca soube dos sentimentos que eu tinha por ela. Eu costumava ir assistir televisão na casa que ficava em frente à minha, porque na casa onde eu morava não havia televisão. Da janela, que ficava bem em frente à casa dela, eu conseguia vê-la sentada na calçada, junto com outros familiares. Eu ficava olhando para ela, admirando-a de longe, mas nunca tive coragem de dizer o que sentia. Talvez aquele tenha sido um dos primeiros momentos em que percebi que os meus sentimentos eram mais complexos do que eu conseguia compreender naquela época. Eu ainda não sabia definir quem eu era, mas, dentro de mim, começava a descobrir que o amor e o desejo não obedeciam às explicações simples que eu procurava. Já a empregada da casa vizinha resolveu se apaixonar por mim. Um dia, ela me chamou para perto, dizendo que queria conversar comigo. Quando me aproximei, ela me pegou pelo pescoço e me deu um beijo. Fiquei sem saber o que fazer, mas também foi só isso. Ela não insistiu mais, pois não dei atenção àquele beijo. Uns dias antes de viajar, um amigo me chamou para ir a um lugar chamado Outeiro. Aceitei, embora não estivesse com muita vontade. Chegando lá, tive a experiência de fazer sexo, pois, até aquele momento, eu não sabia o que era fazer sexo. Para mim, porém, foi como se nada tivesse acontecido, pois não senti nada. Fiz aquilo apenas para mostrar que era capaz. Enquanto isso, um outro garoto que havia ido com a gente e também estava tendo sua primeira experiência ficou tão eufórico que não queria mais deixar a mulher em paz. Já no Rio de Janeiro, como eu não tinha companhia nem amigos, o que eu mais fazia era ir ao cinema. Às vezes, algumas pessoas me perguntavam por lugares da Cinelândia, mas eu quase não conhecia ninguém. Muitas vezes, eu recusava aproximações por medo de me envolver. Só fui viver a minha sexualidade de fato quando conheci o Duda, não apenas por desejo, mas também por uma escolha. Se eu não tivesse vivido esse meu lado homossexual, talvez eu tivesse seguido o caminho do sacerdócio. Algumas pessoas mal informadas dizem que a homossexualidade é uma doença. Outras, ainda mais equivocadas, dizem que é safadeza ou que a pessoa foi influenciada por alguém. Falo por mim: não sou doente, não vivo isso por safadeza e nunca fui influenciado. Os homossexuais são seres humanos que têm os mesmos sentimentos que os heterossexuais. Nós não vivemos apenas de sexo; vivemos também da companhia, do carinho e do amor que temos uns pelos outros. O sexo é uma necessidade do corpo, mas o amor e a companhia são sentimentos que vão muito além disso. Nunca sofri qualquer tipo de preconceito ou coisa parecida por parte das pessoas que conviviam comigo. Já por parte da minha família, nunca chegaram até mim para perguntar se eu era gay. Sempre me trataram normalmente, e também trataram o Duda com naturalidade quando o conheceram. Só voltei ao Ceará depois de sete anos morando no Rio de Janeiro. Os colegas da Cover, corretora onde eu trabalhava, se juntaram e compraram minhas passagens, só que de avião. Era a primeira vez que eu viajaria de avião. Tudo era novidade e me causava espanto. Durante o voo, o medo tomou conta de mim. Eu observava cada detalhe, como se aquele avião fosse desabar a qualquer momento. Até que, finalmente, chegamos a Fortaleza. Peguei um táxi e fui direto para a casa onde eu havia vivido por cinco anos. Ao chegar, fui recebido com uma frieza tão grande que me senti um verdadeiro Zé-Ninguém. Peguei minha mala e fui pedir hospedagem na casa onde eu costumava ir para assistir à televisão. Meu pai, orgulhoso por eu ter viajado de avião, comentou com algumas pessoas. Só que elas não acreditaram. Meu pai teve que mostrar o bilhete da passagem àquelas mesmas pessoas que não acreditaram, inclusive ao Sr. Raimundo. Depois de dez anos morando no Rio de Janeiro, eu e o Duda conseguimos juntar uma quantia de sete mil reais e compramos uma casinha na cidade de Amontada, a casa que eu havia prometido à minha mãe. Antes de comprarmos essa casa, meus pais moravam em outra casa alugada. Para tirá-los da roça, eu precisei alugar aquela casinha para que eles pudessem deixar o campo e morar na cidade. No ano de 1995, a Globo resolveu gravar o remake da novela Irmãos Coragem, e a produção começava a tomar forma. Nessa altura, eu já tinha feito alguns amigos entre os funcionários da Globo, inclusive diretores, e também já havia deixado claro o meu desejo de trabalhar na emissora.✅ Quando fiquei sabendo que estava começando a pré-produção, passei a frequentar ainda mais a produção. Eu queria estar ali, presente, para que eles me vissem e percebessem o meu interesse em trabalhar na Globo. Um belo dia, fiquei na produção, ajudando a equipe. No final do dia, fui para casa por volta das 20 horas. Mal cheguei, o telefone tocou. Atendi. Diálogo Ademi: Alô. França: Eu poderia falar com o Ademi? Ademi: É ele. Quem quer falar? França: É o França. Ademi: Oi, França. França: Você sabe datilografia? Ademi: Sei. França: Então, por favor, apresente-se ao Ruy Mattos amanhã, às dez horas. (Ruy era o diretor de produção.) Ademi: (Já pressentindo que algo muito bom estava para acontecer.) Pode deixar. Estarei lá no horário. Obrigado! Desliguei o telefone com o coração batendo de felicidade. Eu tinha quase certeza de que algo de muito bom estava prestes a acontecer. No dia seguinte, levantei cedo, me arrumei e segui para a Globo, no Jardim Botânico. Cheguei bem mais cedo do que o horário combinado. Ao chegar, cumprimentei a Rosa, que era secretária do Ruy. Diálogo Ademi: — Bom dia, Rosa. Rosa: — Bom dia, Ademi. Ademi: — O França pediu para eu me apresentar ao Ruy. Rosa pegou o telefone e ligou para o ramal do Ruy. Rosa: — Ruy, o Ademi já chegou. Ruy: — Manda ele entrar. Entrei na sala nervoso, mas cheio de esperança. O Ruy tinha o hábito carinhoso de chamar de “sobrinho” as pessoas de quem gostava. Ruy: — Oi, sobrinho. Ademi: — Oi, Ruy. Tudo bem? O França pediu para que eu me apresentasse a você hoje, pois você gostaria de falar comigo. Ruy: — Quero, sim. Como você sabe, a Globo vai produzir o remake da novela Irmãos Coragem, e a produção está começando. Mas a equipe já está completa e, por enquanto, eu não tenho verba para contratar mais um funcionário. Houve uma breve pausa. Ruy: — Mas eu posso te contratar como elenco de apoio. (Elenco de apoio: figurante com registro no DRT — Delegacia Regional do Trabalho.) Se você quiser, posso te contratar hoje mesmo. Era tudo o que eu queria ouvir. Ademi: — Claro que aceito. Ele deu um sorriso. Ruy: — Então, apresente-se ao Madureira. Madureira era o gerente da novela. Fui correndo para a sala de produção. Ao entrar, estava a Penha, que era a base da produção. Ela fazia de tudo e também era uma espécie de secretária do Madureira, a quem eu já conhecia. Diálogo Ademi: — Oi, Penha. Penha: — Oi, Ademi. Tudo bem? Ademi: — O Ruy pediu para que eu me apresentasse ao Madureira. Ela entrou na sala do Madureira e logo saiu. Penha: — O Madureira pediu para você entrar. Entrei na sala. Ademi: — Oi, Madureira. O Ruy pediu para eu falar com você. Madureira: — Já estou sabendo. Você vai trabalhar na produção da novela com a equipe. Saí da sala do Madureira e comecei a conversar com a Penha. No ano de 1995, a Globo resolveu gravar o remake da novela Irmãos Coragem, e a produção começava a tomar forma. Nessa altura, eu já tinha feito alguns amigos entre os funcionários da Globo, inclusive diretores, e também já havia deixado claro o meu desejo de trabalhar na emissora.✅ Quando fiquei sabendo que estava começando a pré-produção, passei a frequentar ainda mais a produção. Eu queria estar ali, presente, para que eles me vissem e percebessem o meu interesse em trabalhar na Globo. Um belo dia, fiquei na produção, ajudando a equipe. No final do dia, fui para casa por volta das 20 horas. Mal cheguei, o telefone tocou. Atendi. Diálogo Ademi: Alô. França: Eu poderia falar com o Ademi? Ademi: É ele. Quem quer falar? França: É o França. Ademi: Oi, França. França: Você sabe datilografia? Ademi: Sei. França: Então, por favor, apresente-se ao Ruy Mattos amanhã, às dez horas. (Ruy era o diretor de produção.) Ademi: (Já pressentindo que algo muito bom estava para acontecer.) Pode deixar. Estarei lá no horário. Obrigado! Desliguei o telefone com o coração batendo de felicidade. Eu tinha quase certeza de que algo de muito bom estava prestes a acontecer. No dia seguinte, levantei cedo, me arrumei e segui para a Globo, no Jardim Botânico. Cheguei bem mais cedo do que o horário combinado. Ao chegar, cumprimentei a Rosa, que era secretária do Ruy. Diálogo Ademi: — Bom dia, Rosa. Rosa: — Bom dia, Ademi. Ademi: — O França pediu para eu me apresentar ao Ruy. Rosa pegou o telefone e ligou para o ramal do Ruy. Rosa: — Ruy, o Ademi já chegou. Ruy: — Manda ele entrar. Entrei na sala nervoso, mas cheio de esperança. O Ruy tinha o hábito carinhoso de chamar de “sobrinho” as pessoas de quem gostava. Ruy: — Oi, sobrinho. Ademi: — Oi, Ruy. Tudo bem? O França pediu para que eu me apresentasse a você hoje, pois você gostaria de falar comigo. Ruy: — Quero, sim. Como você sabe, a Globo vai produzir o remake da novela Irmãos Coragem, e a produção está começando. Mas a equipe já está completa e, por enquanto, eu não tenho verba para contratar mais um funcionário. Houve uma breve pausa. Ruy: — Mas eu posso te contratar como elenco de apoio. (Elenco de apoio: figurante com registro no DRT — Delegacia Regional do Trabalho.) Se você quiser, posso te contratar hoje mesmo. Era tudo o que eu queria ouvir. Ademi: — Claro que aceito. Ele deu um sorriso. Ruy: — Então, apresente-se ao Madureira. Madureira era o gerente da novela. Fui correndo para a sala de produção. Ao entrar, estava a Penha, que era a base da produção. Ela fazia de tudo e também era uma espécie de secretária do Madureira, a quem eu já conhecia. Diálogo Ademi: — Oi, Penha. Penha: — Oi, Ademi. Tudo bem? Ademi: — O Ruy pediu para que eu me apresentasse ao Madureira. Ela entrou na sala do Madureira e logo saiu. Penha: — O Madureira pediu para você entrar. Entrei na sala. Ademi: — Oi, Madureira. O Ruy pediu para eu falar com você. Madureira: — Já estou sabendo. Você vai trabalhar na produção da novela com a equipe. Saí da sala do Madureira e comecei a conversar com a Penha. Penha — (sorridente): Parabéns, Ademi. Ademi: Obrigado. Aquela frase — “Vou te contratar” — ficou ecoando na minha cabeça por alguns dias. Era o começo da realização de um sonho. Meu nome, finalmente, passava a fazer parte daquela engrenagem que eu tanto admirava. Ali começava uma nova história. Aquele sonho que eu carregava desde menino, o de ser artista, começava, enfim, a tomar forma. Eu estava sendo contratado como ator. Na verdade, eu não iria aparecer na TV, pois faria parte da equipe de produção. Mas o meu registro na carteira seria como ator. Para mim, isso não tinha muita importância; o que valia era estar ali dentro da Globo, como funcionário. A novela Irmãos Coragem marcou o início da minha trajetória na televisão. Era o começo de uma vitória, uma porta que se abria para o futuro. Depois de Irmãos Coragem, fiz mais duas novelas pelo mesmo sistema de elenco de apoio. Daí em diante, fui ganhando mais confiança e reconhecimento, e meu trabalho começou a chamar atenção. Tanto que, em vez de me contratarem como elenco de apoio, passaram a me contratar como prestador de serviço. Daí em diante, exerci algumas funções: contínuo, contrarregra e camareiro. Como eu trabalhava como prestador de serviço, quando uma novela terminava eu ficava desesperado. E foi exatamente isso que aconteceu. Havia um diretor chamado Eduardo Figueira, cuja secretária era a Denise. Como o contínuo que trabalhava com ele saiu de férias, Denise pediu que eu ficasse no lugar dele durante aquele período. Diálogo Denise: Eduardo, o Ademi está sem contrato e, como o Feliciano vai sair de férias, ele pode ficar no lugar dele até que ele volte. Eduardo pensa por alguns instantes. Eduardo: Pode. O mês passou rápido. Assim que Feliciano voltou das férias, mais uma vez eu ficaria sem trabalho. Mas, novamente, Denise intercedeu por mim. Diálogo Denise: Eduardo, agora que o Feliciano voltou das férias, novamente o Ademi vai ficar sem trabalho. Eduardo pensa por alguns segundos. Eduardo: Manda ele procurar a Daniela. Daniela era a supervisora de contrarregra de uma novela que estava prestes a começar. Fui conversar com Daniela. Diálogo Ademi: Oi, Dani. O Eduardo pediu que eu me apresentasse a você. Daniela: Ele já me falou. Você pode começar amanhã? Ademi: Posso. Daniela: Então chegue às 8 horas. Ademi: Tudo bem. Fiz algumas novelas como elenco de apoio, outras duas como contrarregra e três como camareiro. Depois de muitas lutas para conseguir me tornar funcionário, continuei batalhando até ser contratado financeiramente como auxiliar de produção, mas ainda como prestador de serviço. Vi muitos colegas que também eram prestadores serem efetivados, enquanto eu continuava sendo deixado para trás. Até que, em 1999, finalmente fui contratado como funcionário. Naquele período, eu tinha apenas o segundo grau completo, assim como muitos outros funcionários. Então, saiu um comunicado informando que quem não tivesse curso superior não poderia ser promovido. A notícia mobilizou muitos funcionários. Assim como eu, vários prestaram vestibular e começaram a cursar uma faculdade. Eu escolhi o curso de Cinema. Era mais uma etapa da minha caminhada. Depois de tantos anos lutando por uma oportunidade, finalmente eu começava a construir, dentro da empresa, o caminho profissional que sempre sonhei. Depois de alguns anos trabalhando como auxiliar de produção, começou a batalha por uma promoção. Quando finalmente consegui ser funcionário, minha luta passou a ser por uma promoção. Todos os anos havia oficinas para assistente de produção e, ao final, aqueles que fossem aprovados eram contratados já como assistentes. Eu era um dos profissionais que ensinavam esses oficineiros, mas continuava como auxiliar. Até que a Globo decidiu extinguir o cargo de auxiliar. Foi então que fui promovido a assistente de produção e, algum tempo depois, a produtor. Tudo o que aprendi sobre produção foi na marra. Nunca tive ajuda de ninguém; aprendi tudo na curiosidade e na prática. Naquela época, não era preciso fazer oficina. As coisas eram mais fáceis para conseguir uma oportunidade de trabalho na Globo. Por exemplo, ter conhecimento com algum diretor poderia facilitar muito a entrada. Na área de dramaturgia, produzi muitas novelas; já na linha de shows, produzi poucas. Trabalhei com muitos atores, e todos foram muito legais comigo, cada um com suas histórias. Se eu fosse relatar o nome de cada um, terminaria este livro com centenas de páginas. Mas vou contar uma passagem que vivi com uma atriz. Estávamos trabalhando na produção da novela Como uma Onda. Um dia, haveria uma reunião da qual participaria uma atriz. No dia da reunião, pediram que eu fosse buscá-la na portaria. Só que me recomendaram tanto que parecia que eu iria buscar um diamante precioso. Era Maria Fernanda Cândido. Eu estava na portaria, sentado no carrinho elétrico, quando chegou uma mulher linda e deslumbrante, desfilando pela recepção. Ela pegou seu crachá e passou pela roleta. Eu ainda não a conhecia pessoalmente. Diálogo Ademi: Oi, Maria Fernanda. Maria Fernanda: (Muito elegante, em um belo vestido.) Tudo bem? Qual é o seu nome? Ademi: Ademi. Maria Fernanda: Prazer, Ademi. Você é da produção da novela? Ademi: Sim. Maria Fernanda: Que bom! Vamos trabalhar juntos. Seguimos de carrinho para o encontro com a equipe que a esperava para a reunião, inclusive o diretor Dennis Carvalho. Durante o trajeto da portaria até o módulo de produção, onde aconteceria a reunião, fomos conversando. Era uma conversa tão natural que parecia que já nos conhecíamos havia muito tempo. Depois de tantas reclamações e dificuldades que eu havia enfrentado ao longo da minha trajetória, eu estava ali, ao lado de uma mulher linda e simpática. Mesmo sendo uma estrela da televisão, do cinema, dos palcos e das passarelas, ela era, para mim, um verdadeiro diamante humano. Entre luzes, câmeras e a correria das gravações, lá estava ela: Maria Fernanda Cândido, tão elogiada por todos. Eu já tinha ouvido falar dela, mas nunca havia imaginado que estaria ali, frente a frente com aquela mulher. Por trás de toda a sua elegância, eu não esperava encontrar uma pessoa tão simples, humana e de uma delicadeza ímpar. Foi ela quem disse, olhando nos meus olhos: — Vamos nos tornar bons amigos. Desde os primeiros dias de gravação, sua dedicação e generosidade eram claras. No meio dos cenários improvisados das externas, sob o sol forte, dos estúdios gelados e dos scripts que ela estudava cuidadosamente para as cenas de sua personagem, fui percebendo que algo especial estava nascendo. A Luta pela Promoção Como funcionário, eu sabia que precisava ir mais longe. Meu objetivo agora era ser promovido a assistente de produção. Começava mais uma batalha na luta por uma promoção. O que eu via era muitos colegas sendo promovidos. Os oficineiros, por exemplo, eram contratados diretamente como assistentes de produção, justamente depois de eu ter ensinado a muitos deles como fazer o trabalho de produção. Mesmo tendo pessoas ao meu favor, inclusive diretores, parecia que havia algo impedindo a minha promoção. Até que a Globo decidiu extinguir a função de auxiliar de produção. Com isso, todos os auxiliares passaram a exercer a função de assistente de produção. Alguns anos depois, conquistei mais uma etapa da minha trajetória profissional e passei a exercer a função de produtor. Experiências na Produção da Globo Quando cheguei à Globo, não se ouvia falar em oficina de produção. Tudo o que aprendi sobre produção foi na marra. Ninguém me ensinou; aprendi tudo pela curiosidade e pela vontade de aprender. Certa vez, eu estava na produção da novela Tropicalmente. Costumava ajudar a Alzira, que era a continuista-chefe. Ela era responsável por fazer a escalação de qual continuista iria acompanhar as gravações do dia seguinte. Dependendo da novela, às vezes havia mais de três frentes de gravação. Nesse dia, ela precisava escalar uma continuista, mas não estava conseguindo falar com ela. Então, virou-se para mim e disse: — Ademi, você pode ir para a externa? Sem pensar duas vezes, respondi: — Eu vou. Mesmo sem nunca ter feito continuidade, fui para a gravação. O que eu precisava fazer era anotar a movimentação dos atores, tirar fotos e cuidar do básico, pois a função de continuista é muito mais complexa. Naquele dia, os diretores eram Papinha e Marcelo Travesso, que tiveram muita paciência comigo. As atrizes também me ajudaram bastante nas anotações. Naquela época, era bem mais fácil trabalhar na Globo se você tivesse algum conhecimento e demonstrasse interesse e disposição para aprender. Muitas oportunidades surgiam justamente para quem já conhecia o trabalho e tinha iniciativa. Na área da dramaturgia, produzi muitas novelas. Já na linha de shows, produzi menos programas. O Esquenta! foi um deles e, posteriormente, o Zorra foi o último programa que produzi. Ao longo desses anos, trabalhei com muitos atores e atrizes. Falar de todos seria muito difícil, pois cada um tinha seu jeito de ser e sua própria história. Só posso dizer que, comigo, todos foram muito legais e deixaram alguma lembrança. Mas, entre tantas pessoas queridas com quem trabalhei, vou contar a história de pelo menos uma atriz muito especial. Afinal, todos foram muito queridos, cada um à sua maneira. De repente, estava começando uma nova produção: a novela Como Uma Onda, de Walter Negrão. Certo dia, aconteceria uma reunião entre o diretor Dennis Carvalho e uma atriz. Na sala, além de Dennis, estavam presentes todos os diretores, o gerente e algumas pessoas da equipe. Eu estava trabalhando quando me chamaram e pediram que eu fosse buscar a atriz. Antes, porém, me orientaram sobre como eu deveria recebê-la. A atriz era a lindíssima Maria Fernanda Cândido. Pelo modo como me recomendaram que eu a recebesse, parecia que eu iria buscar uma joia, um verdadeiro diamante. Fui até a portaria. Lá estava eu, com o carrinho elétrico parado em frente à recepção, de olho na entrada e à espera da chegada dela. Então, Maria Fernanda chegou. Toda maravilhosa, linda, usando um belo vestido, desfilando pela recepção. Ali estava a joia que eu tinha ido buscar. Eu ainda não a conhecia pessoalmente.✅ Diálogo Ademi: Oi, Maria Fernanda. Maria Fernanda: (Simpática) Tudo bem? Qual é o seu nome? Ademi: Ademi. Maria Fernanda: Prazer, Ademi. Você é da produção da novela? Ademi: Sim. Maria Fernanda: Que bom! Vamos trabalhar juntos. Seguimos de carrinho elétrico ao encontro de Dennis. Depois de tantas recomendações, eu encontrei não apenas uma mulher linda, mas uma pessoa simples, uma verdadeira joia de pessoa, uma estrela da televisão, dos palcos e das passarelas. Entre luzes, câmeras e a correria das gravações, sempre com um sorriso vibrante, lá estava Maria Fernanda. Tão elogiada e admirada por todos. Por trás da beleza e da postura elegante, descobri uma mulher simples, humana e de uma delicadeza que não se aprende em sala de aula. Aquilo era simplesmente dela. E foi ela quem, olhando nos meus olhos, disse: — Vamos nos tornar bons amigos. Desde os primeiros dias de gravação, sua dedicação e generosidade eram evidentes. No meio dos cenários improvisados, das externas sob o sol forte do verão carioca, dos estúdios gelados e dos scripts que ela estudava e nos quais decorava os textos de sua personagem, ela demonstrava toda a sua disciplina. Aos poucos, fui percebendo que algo especial começava a nascer: uma amizade sincera, construída no meio da rotina de uma novela, entre o trabalho, as gravações e os encontros do dia a dia. Eu não ganhava apenas uma colega de trabalho; ganhava uma amiga — daquelas raras que a vida coloca em nossos caminhos como um presente. O tempo passou, as gravações avançaram, a novela foi chegando ao fim… E a nossa amizade só crescia. Tanto que ela estava prestes a se casar. Um belo dia, a secretária dela me ligou querendo saber o meu endereço, pois Maria Fernanda gostaria de me enviar o convite do casamento. Pedi que mandasse para o Projac. Então, ela falou: Secretária: — A Maria Fernanda gostaria que o convite fosse enviado para a sua casa. Ademi: — Está bom. O casamento Um dia antes, viajei para São Paulo e me hospedei na casa de uma amiga. No dia seguinte, aconteceu o casamento. Naquela noite, rodeado por familiares e amigos, vi Maria Fernanda em toda a sua plenitude. Uma mulher que já era linda, mas que, naquele vestido de noiva, estava mais linda ainda. Foi uma honra e uma grande alegria estar ali, presente em seu casamento. Eu tive a sorte de trabalhar com atores e atrizes tão maravilhosos que, se eu citasse todos os nomes neste livro, daria para preencher centenas de páginas. Analisando tudo o que fiz na Globo, percebo que as novelas não apenas contaram histórias fictícias; elas também fizeram com que eu contasse a minha própria história. Minhas Últimas Produções Por 28 anos, trabalhei na Globo, por trás das câmeras da maior televisão do Brasil. Durante esse período, tive o privilégio de conviver e trabalhar com tantos profissionais, desde os mais humildes até grandes diretores, que levarei essas experiências comigo pelo resto da minha vida. Minhas últimas produções foram Esquenta! e Zorra. O Esquenta! foi uma experiência maravilhosa. Era uma adrenalina completamente diferente da das novelas. Trabalhei com atrações musicais e vivi momentos muito especiais. Falar do Esquenta! sem falar de Regina Casé é praticamente impossível. Uma mulher forte, valente e, ao mesmo tempo, carismática, admirável e cheia de energia. Também era séria e não tinha papas na língua: se tivesse que falar alguma coisa, falava na cara. E, ao mesmo tempo, era divertida e espontânea. Dediquei-me ao programa durante seis anos, o mesmo período em que o Esquenta! ficou no ar. Fiz a minha parte — e recebi dela o mesmo: respeito, confiança e carinho. No Zorra, foi uma experiência totalmente diferente, pois trabalhei com um elenco de humoristas que, além de atuarem, também faziam humor. Era gostoso trabalhar naquele ambiente familiar e divertido, que nos alegrava todos os dias enquanto exercíamos nossas tarefas. A cada nova produção, era um novo elenco, uma nova equipe, uma nova oportunidade de aprendizado e uma chance de conhecer pessoas incríveis. Em cada corredor, uma memória; em cada set de gravação, uma lição. Seria impossível listar todos os nomes das pessoas com quem convivi, mas cada uma delas contribuiu para a riqueza da minha trajetória profissional e pessoal. Minha demissão Quando começou a pandemia da Covid-19, ainda estávamos gravando o Zorra. Mesmo correndo o risco de contaminação, usávamos máscaras. O último dia de gravação foi 16 de março de 2020. A partir daí, a Globo colocou a maioria dos funcionários em casa. Só permaneceram aqueles considerados essenciais, e alguns passaram a trabalhar em home office. As vacinas Com a chegada das vacinas, tomei as três doses recomendadas. Fui ao posto de saúde do Projac para me consultar e fazer o exame periódico. Fiz todos os exames, fui avaliado pelo médico e ele me liberou para voltar ao trabalho. No entanto, sem que me chamassem para retornar, continuei em casa. Em junho de 2021, nada de me chamarem para voltar ao trabalho. Então, no dia 15, recebi um e-mail da minha gestão marcando uma reunião on-line para o dia seguinte, às 12 horas. Respondi que estava tudo bem. No dia seguinte, conforme o combinado, recebi a ligação da gestão, que estava acompanhada de uma profissional do RH. Assim que atendi, já sabia que coisa boa não era. Apesar de já estar preparado, ouvi a frase que eu não queria ouvir: a empresa estava passando por uma reestruturação e eu seria dispensado. Com essa frase, eu me senti injustiçado. Afinal, eu estava sendo dispensado depois de tantos anos trabalhando na empresa. Quando isso acontecia com outros colegas, muitas vezes diziam que a pessoa não tinha mais o perfil para a empresa. No fundo, acho que foi melhor ter recebido a notícia por telefone. Não sei como teria sido se tivesse ouvido aquilo pessoalmente. Vi muitos colegas saírem chorando depois de serem demitidos. Talvez eu passasse pela mesma situação, pois eu amava trabalhar na Globo. A “Barca” Nos 28 anos em que trabalhei na Globo, vi muitos colegas serem demitidos. Todos os anos havia uma leva de demissões, geralmente entre outubro e novembro. Quando esses meses se aproximavam, a gente já comentava que a “Barca” estava para passar. Quando a “Barca” passava, para quem permanecia na empresa, era um grande alívio. Era a garantia de mais um ano de emprego. Homenagem a Todos que Fazem a TV Globo Hoje, olhando para trás, vejo que minha história profissional não pode ser contada sem falar de todas as pessoas que fizeram parte da minha caminhada dentro da TV Globo. Desde o primeiro dia em que coloquei os pés naquela emissora até o dia em que saí, carreguei comigo muito mais do que experiências profissionais. Carreguei amizades, aprendizados, desafios, conquistas, histórias e, principalmente, uma enorme gratidão. Quero prestar minha homenagem a todos os profissionais que, de alguma forma, fizeram parte dessa trajetória. Aos profissionais dos bastidores, muitas vezes invisíveis aos olhos do público, mas indispensáveis para que tudo acontecesse: auxiliares, assistentes, produtores, continuístas, contrarregras, camareiros, maquiadores, cabeleireiros, figurinistas, cenógrafos, técnicos, operadores, motoristas, profissionais da limpeza, da segurança, da administração e tantos outros que fazem a televisão acontecer todos os dias. E quero fazer uma homenagem muito especial aos atores e às atrizes com quem tive a oportunidade e a felicidade de trabalhar. Foram centenas de artistas que passaram pela minha vida profissional. Alguns ficaram por pouco tempo, outros permaneceram durante anos, mas cada um deixou uma lembrança, uma história e um aprendizado. Aos atores e atrizes que confiaram no meu trabalho, que dividiram comigo momentos de gravação, corredores, estúdios, camarins, externas, ensaios e tantos outros momentos da rotina de uma novela ou de uma produção, deixo aqui o meu carinho e a minha eterna gratidão. Muitos deles eram grandes estrelas para o público, mas, para mim, eram também colegas de trabalho, pessoas com quem convivi de perto e com quem compartilhei os desafios e as alegrias de fazer televisão. Tive a sorte de trabalhar com atores e atrizes tão maravilhosos que, se eu fosse citar todos os nomes neste livro, provavelmente seriam necessárias centenas de páginas. Cada rosto, cada voz, cada personagem e cada história fazem parte das minhas lembranças.✅ Minha homenagem também vai aos grandes diretores, autores, produtores, gerentes e executivos com quem tive a oportunidade de trabalhar. Pessoas que, cada uma à sua maneira, contribuíram para que eu me tornasse o profissional e o ser humano que sou hoje. Tive a oportunidade de aprender com pessoas que talvez nem saibam o quanto me ensinaram. Aprendi observando, perguntando, errando, acertando e, muitas vezes, aprendendo na marra. Durante tantos anos, a Globo não foi apenas o meu local de trabalho. Ela se tornou parte da minha vida. Eu passava mais tempo dentro da Globo do que na minha própria casa. Por isso, muitas vezes eu dizia que a Globo era a minha segunda casa. Talvez, em muitos momentos, tenha sido até a minha primeira. Ali vivi grande parte da minha vida adulta. Acompanhei novelas, programas, estreias, finais, mudanças, desafios e momentos que jamais esquecerei. Fiz amizades, conheci pessoas maravilhosas e vivi situações que hoje fazem parte das minhas melhores lembranças. 🙏Também enfrentei dificuldades. Nem todos os caminhos foram fáceis, e nem sempre fui reconhecido da maneira que gostaria. Houve momentos em que precisei lutar muito para conquistar cada espaço, cada oportunidade e cada promoção. Mas, mesmo diante das dificuldades, nunca deixei de acreditar no meu trabalho. E é justamente por isso que, quando olho para trás, prefiro guardar aquilo que de melhor vivi. Sou grato a todos aqueles que acreditaram em mim, que me deram uma oportunidade, que me ensinaram alguma coisa, que estenderam a mão, que me defenderam, que me incentivaram ou simplesmente compartilharam comigo algum momento daquela longa caminhada. Aos que me trataram com carinho, meu muito obrigado. Aos que me ensinaram, meu muito obrigado. Aos atores e atrizes que fizeram parte das minhas produções, meu muito obrigado. Aos diretores que confiaram em mim, meu muito obrigado. A todos os profissionais que trabalharam ao meu lado, nos bastidores ou diante das câmeras, meu muito obrigado. E até mesmo àqueles que, de alguma forma, tornaram minha caminhada mais difícil, também agradeço. Porque os obstáculos me fizeram crescer, aprender e lutar ainda mais pelos meus objetivos. Foram muitos anos dentro daquela casa. Uma casa que ajudou a construir a minha história e que também me permitiu participar da construção de tantas outras histórias que chegaram aos lares de milhões de brasileiros. Hoje, depois de tudo que vivi, percebo que não fui apenas um profissional que passou pela TV Globo. Eu fiz parte daquela história. E a Globo também passou a fazer parte da minha. Saí pela porta da emissora, mas não saí de coração vazio. Levei comigo lembranças, amizades, ensinamentos, conquistas e uma infinidade de histórias que permanecerão para sempre comigo. A cada pessoa que cruzou o meu caminho durante todos esses anos, desde o profissional que estava começando até o maior diretor, do funcionário dos bastidores ao artista que brilhava diante das câmeras, deixo aqui o meu mais sincero agradecimento. Vocês fizeram parte da minha vida. E, de alguma forma, também fazem parte da história que hoje eu conto. Muito obrigado, TV Globo. Muito obrigado a todos os atores e atrizes. Muito obrigado a todos os profissionais que caminharam comigo. A minha eterna gratidão a todos vocês. Carta à Minha Mãe Noventa anos… Como o tempo passou, e nem percebemos! No dia 16 de abril de 1977, celebramos o seu aniversário de noventa anos — uma vida marcada por lutas, coragem e vitórias. A senhora passou por todas as adversidades e venceu cada uma delas, porque Deus, em sua infinita sabedoria, escreveu em Seu livro divino uma história que seria contada às suas gerações: uma história de força, fé e perseverança. A sua história é a de um anjo que se fez mulher — uma mulher extraordinária. A senhora conheceu o amor da sua vida aos dezesseis anos e, dessa união sagrada, foram germinadas sementinhas que deram frutos benditos, formando uma família sagrada e abençoada por Deus. “Ela é revestida de força e dignidade.” Provérbios 31:25 E assim é a senhora para nós. Meu orgulho é imenso por ser seu filho, mãe. Deus lhe deu a vida e moldou uma das mais belas e sublimes criaturas do universo. Sei que a caminhada foi difícil, mas, com o seu amor, conseguimos vencer cada obstáculo. Hoje estamos todos juntos — filhos, netos, bisnetos, familiares e amigos — para agradecer por sua vida e dizer o quanto a senhora é importante para todos nós. Estamos comemorando os seus noventa anos, mas o maior presente quem ganha somos nós, pois é uma honra ter a senhora em nossas vidas: um ser humano tão maravilhoso, que nos ensina, todos os dias, o verdadeiro significado do amor, da fé e da família. Nossa rainha, nossa inspiração, a luz que ilumina a escuridão, a paz do nosso ser e a razão de tanto amor. E nós a honramos com alegria, amor e gratidão. Desejamos que Nosso Senhor Jesus Cristo cubra a senhora de saúde, paz, felicidade e muitos anos de vida. Seja sempre feliz, mãe, pois a sua felicidade também é a nossa. Nós te amamos! Em 31 de maio de 2019, minha mãezinha nos deixou, aos 92 anos. Foi morar no paraíso, ao lado do Criador. Guerreira, partiu serena para morar no céu. Ficou a saudade, mas o seu amor permaneceu. Tornou-se invisível aos olhos, mas continua presente em meu coração. Mesmo assim, eu a sinto perto de mim. Quando deito a cabeça no travesseiro e fecho os olhos, sinto a senhora fazendo cafuné em meus cabelos, como fazia para que eu pudesse dormir. Esse é o amor de mãe: mesmo depois da partida, mesmo em espírito, ele não deixa de existir. Apesar de ter nove filhos presentes, e de eu ser o único que estava fora de casa, a senhora nunca se esqueceu de mim. O amor de mãe sofreu comigo quando as brasas de uma fogueira queimaram os meus pés. O amor de minha mãe curou minhas feridas. O amor de mãe me acalentou nas minhas dores. O amor de minha mãe me alimentou com o mais rico alimento: o leite materno. O amor de minha mãe cantou canções de ninar para eu dormir. Mãe, mesmo a senhora não estando mais entre nós, sabemos que continua nos amando. Sentimos esse amor em nossos corações. Mãe, eu sempre senti o seu amor dentro de mim, assim como sinto até hoje. Sempre senti falta do seu colo, dos seus cafunés e do seu carinho. Mãe, perdoe-me por não ter sido um filho tão presente quanto gostaria. Mas o meu amor pela senhora sempre foi um amor verdadeiro, de filho, e eu estive sempre presente em pensamento e em coração. Mãe, eu sei que a senhora está muito bem, ao lado de Deus, nosso Pai Maior. Sei que está em paz, porque cumpriu sua missão nesta vida com coragem, amor e fé. A saudade permanece, mas também permanece tudo aquilo que a senhora me ensinou e, acima de tudo, o seu amor. Até o nosso encontro, aí no céu. Pai, Saí muito cedo de casa, ainda criança. Durante grande parte da minha infância, deixei de estar ao seu lado, mas aprendi, com o tempo, a importância do amor da família, principalmente do seu amor. Descobri que a vida é mais bonita quando compartilhamos amor entre nós e que, mesmo aquilo que parece pouco, quando ensinado com amor, pode nos transformar para sempre. Com o passar dos anos, descobri também que tudo o que o senhor me ensinou foi fundamental para que eu me tornasse quem sou hoje. Aprendi que a dor faz parte das conquistas e que os nossos sonhos se renovam e se tornam possíveis quando somos guiados por Deus. Meu pai, meu herói, nunca permitiu que as dificuldades o vencessem. Como lavrador, tinha a visão de uma águia, a força de um furacão, o brilho de uma estrela e a esperança de um futuro melhor. Tinha uma fé inabalável de que Deus estava sempre disposto a estender a Sua mão para aqueles que Nele confiam. Meu super-herói partiu. Agora, dorme o sono dos justos e, ao som da trombeta, ressurgirá para os braços do seu Salvador. Deixou uma saudade que se multiplica a cada dia e um vazio que nada poderá preencher. Para sempre vou te amar. Para sempre vou te sentir aqui, no meu peito. Sua voz estará sempre em meus ouvidos, aconselhando-me e desviando-me do mal. O amor de pai não morre; fica eternizado para sempre em nossa memória e em nosso coração. Pai, eu sei que saí muito jovem de casa, ainda uma criança. Mas foi muito difícil, pois só eu sei a falta que o senhor fez: o seu colo, a sua presença, o seu carinho. Muitas vezes, a palavra “pai” tornou-se dolorosa pela distância e pela falta de tê-lo por perto. Mas, se saí do aconchego da nossa família, foi pensando em buscar uma vida melhor para mim e, quem sabe, também para a nossa família. Mesmo sendo criança, eu já sabia que naquele lugar onde morávamos havia poucas perspectivas de futuro e que a fome dominava as nossas vidas. Era triste ver o senhor sair de casa em busca do nosso alimento e ver minha mãe chorando ao olhar para todos nós, ainda crianças, chorando de fome, sem ter sequer uma garapa de açúcar com água para nos oferecer. Hoje, não tenho grandes riquezas, mas consegui estudar, fazer uma faculdade e conquistar o meu trabalho. Tenho um teto para morar e consegui comprar uma casinha para o senhor e para minha mãe, com uma grande ajuda, é verdade, mas com muito amor e gratidão. Hoje, minha mãe não precisa mais chorar por não ter o que dar aos filhos. Todos nós crescemos, estamos fortes e seguimos nossas vidas. O mundo ficou melhor. Ainda não temos muito, mas temos saúde, e o nosso alimento de cada dia chega à nossa mesa. Pai, hoje eu sei o que é ser pai, pois sou pai do seu netinho, Gabriel. Pai, o seu neto é o anjinho que Deus me deu para dar continuidade à nossa geração, à nossa família e à nossa história. Hoje é Dia dos Pais. Parabéns, meu pai, aí no céu! Que Deus o tenha em Seus braços e permita que, um dia, possamos nos reencontrar. Eu te amo para sempre, meu pai. Mensagem de Gratidão Ao senhor Sebastião e à senhora Jacy, quero deixar registrada a minha profunda e eterna gratidão e dizer que vocês foram muito importantes na minha vida. Vocês confiaram em mim, um desconhecido, um estranho, e me estenderam as mãos como verdadeiros servos de Deus. Proporcionaram-me uma nova vida e deram-me um lar cheio de amor, bondade e misericórdia, onde encontrei abrigo, pão e paz para seguir minha caminhada. Assim como está escrito, a bondade do homem é como uma luz que resplandece. E foi isso que vocês fizeram: fizeram essa luz brilhar sobre mim. Também guardo no coração as palavras do senhor, quando me dizia para ficar: “Em Ti, Senhor, encontrei refúgio.” Foi através do senhor e da senhora que encontrei abrigo, e essa palavra se tornou realidade em minha vida. Que o Senhor Deus, em Sua infinita graça, derrame sobre vocês bênçãos sem medida, recompensando toda a generosidade que tiveram comigo. Que as memórias de sua bondade permaneçam para sempre como um testemunho vivo do amor que habitava em seus corações. “A memória do justo é abençoada.” E assim será a de vocês. Que Deus os acolha com Sua paz eterna, pois, como está escrito: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Que a luz que vocês acenderam em minha vida jamais se apague e que o legado de bondade que deixaram continue a frutificar nos caminhos que o Senhor já preparou. Com profunda gratidão e eterno carinho. Mensagens de Gratidão — Aos Meus Pais do Coração Senhor Sebastião e senhora Jacy, registro minha profunda e eterna gratidão. Vocês confiaram em mim sem me conhecerem, quando eu era apenas um desconhecido, e me estenderam as mãos como verdadeiros servos do bem. Proporcionaram-me uma nova vida e deram-me um lar cheio de amor, bondade e misericórdia, onde encontrei abrigo, pão e paz para seguir a minha caminhada. Assim como está escrito: “A bondade do homem é como uma luz que resplandece”, e foi exatamente isso que vocês fizeram: fizeram essa luz brilhar sobre mim. Também me recordo das palavras do Senhor: “Em Ti, Senhor, encontrei o refúgio.” E foi através de vocês que esse refúgio se tornou real em minha vida. Que o Senhor, em Sua infinita graça, derrame sobre vocês bênçãos sem medida, recompensando toda a generosidade que plantaram em meu caminho. Pois está escrito: “Quem semeia com generosidade, com generosidade também colherá.” E vocês semearam amor, cuidado, bondade e compaixão. Que a memória de suas obras permaneça para sempre, como um testemunho de amor e de fé, e que Deus recompense cada gesto de carinho, cada palavra de incentivo e cada mão estendida no momento em que eu mais precisava. Vocês não foram apenas pessoas que cruzaram o meu caminho; foram instrumentos de Deus na minha vida. Por isso, levarei para sempre em meu coração a gratidão por tudo o que fizeram por mim. Aos meus pais do coração, Sebastião e Jacy, minha eterna gratidão, meu carinho e meu amor. Homenagem à Tia Luzia Tia Luzia, era assim que eu a chamava, minha tia do coração, uma mulher excepcional. Receba meus sinceros agradecimentos pelo seu carinho, pelos gestos de bondade e pelas muitas lições que compartilhou comigo, todas inesquecíveis. Sou profundamente grato por ter tido uma tia do coração tão especial, amorosa e inspiradora. Assim como está escrito: “Aquele que semeia com generosidade também colherá com abundância.” E a senhora semeou amor e esperança. Seu cuidado comigo foi como a luz que o Senhor colocou em meu caminho. Lembro-me também da palavra que diz: “A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” E assim foi a sua vida, Tia Luzia: um amanhecer constante de bondade e sabedoria. Guardo em meu coração o ensinamento do Provérbio: “A mulher virtuosa é coroa de honra.” E a senhora foi essa mulher de virtude, sabedoria e graça divina. Suas ações refletiam o amor de Deus, pois o coração bondoso é fonte de vida, e a senhora foi vida, consolo e abrigo para muitos. Que o Senhor, em sua infinita misericórdia, a recompense por todo o bem que plantou em minha vida e na vida de seus entes queridos. E que a memória do seu amor permaneça para sempre. “O justo deixa uma herança eterna.” E a senhora deixou a mais preciosa de todas: a herança do exemplo, da fé e da bondade. Homenagem ao Sr. Luiz Sr. Luiz, embora não tenhamos tido uma convivência muito próxima, sempre que o senhor me dava a satisfação de sua presença, era para mim um grande prazer. Sua bondade jamais passou despercebida, e sou profundamente grato pela influência positiva que o senhor deixou em minha vida. A Bíblia nos ensina que toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto (Tiago 1:17). E o senhor foi uma dessas bênçãos que Deus colocou em meu caminho. Assim como está escrito: “O homem bom deixa herança aos filhos de seus filhos” (Provérbios 13:22), o senhor deixou um legado de gentileza, respeito e sabedoria que permanecerá para sempre em minha memória. Jorge, meu amigo, embora você não esteja mais entre nós, suas lembranças continuam vivas em nossas memórias e em nossos corações. Sua generosidade e o amor que você semeou deixaram uma marca profunda em nossas vidas. Sou grato por todos os momentos que compartilhamos e por tudo o que você representou para mim: um amigo, um verdadeiro irmão. Assim como diz a Palavra: “O justo deixa uma herança de bênçãos” (Provérbios 13:22). E você, Jorge, deixou um legado de amor, bondade e caráter, que seguirá vivo para sempre. Também creio na promessa de Deus: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Salmos 116:15). Ele acolhe aqueles que caminharam com fé, como você caminhou. Guardo no coração o que está escrito: “A memória do justo é abençoada” (Provérbios 10:7). E é assim que nos lembramos de você: com honra, respeito e saudade. Lúcio, você nos deixou ainda muito jovem, deixando saudades eternas em todos aqueles que tiveram a graça de conviver com você. Sua partida abriu um vazio, mas suas memórias seguem vivas na família que você formou com tanto amor e nas lembranças sinceras de todos que o admiravam Adeus e um até logo, minha mãe, minha Rainha. Minha mãe, minha Rainha, partiu com uma passagem só de ida para o paraíso. Foi morar com o Criador, na Espaçonave de Deus. Embarcou serena, como uma criança que dorme. Foi uma mulher realizada, guerreira, que nunca fugiu da luta. Partiu vencedora de todos os seus desafios, uma verdadeira heroína, deixando aos filhos e netos o exemplo de uma vida digna e de boa conduta. Apesar de ser uma mulher humilde e sem estudos, ela nos ensinou que praticar a caridade sempre vale a pena e que a vida não é feita apenas de sorrisos; a dor também faz parte das nossas conquistas. Ensinou-nos que os sonhos renovam as nossas esperanças e tornam possíveis as nossas realizações. Quando somos guiados pelos nossos pais, eles desejam que o nosso futuro seja sempre melhor do que o deles. Querem que não passemos pelas dificuldades que enfrentaram e nos ensinam que devemos caminhar de cabeça erguida, com os olhos voltados para o horizonte. Temos que viver cada momento com a esperança de um futuro melhor, com alegria, sinceridade e honestidade. Esses foram alguns dos valores que minha Rainha deixou como herança para seus filhos e netos. Minha Rainha não se deixou vencer pelas dificuldades que o mundo lhe impôs ao longo de sua vida. Enfrentou cada desafio com coragem e partiu com a sua fé inabalável em Deus. Hoje, a saudade aperta o coração, mas fica a certeza de que sua missão foi cumprida. A senhora partiu como viveu: forte, serena, vencedora e sob a proteção de Deus. Adeus, minha mãe. Adeus, minha Rainha. Não é um adeus definitivo, mas um até logo. Um dia, pela graça de Deus, nos encontraremos novament Minha Eterna Mãe Minha eterna mãe, a mais querida deste mundo. Hoje, embora não esteja mais entre nós, seu amor permanece para sempre em nossos corações. Ainda sinto a sua ternura. Em cada estrela que brilha no céu, reluz o seu olhar. Em minhas memórias, sinto a sua presença e, em espírito de luz, sinto que continua me guiando pelo caminho do bem. Seu amor e sua luz são lembranças eternas, que jamais se apagarão. Aos meus irmãos do coração: Carlinhos, Marilene, Édson (Edinho), Mariângela e Marquinhos Escrevo estas palavras que saem do fundo do meu coração, pois, quando Deus deseja unir vidas, Ele não precisa de laços de sangue nem do mesmo DNA. Está escrito: “Deus faz que o solitário habite em família” (Salmos 68:6). Foi assim que Ele fez comigo. Por meio de vocês, filhos do senhor Sebastião e da senhora Jacy, Deus me deu irmãos, abrigo e amor. E a Bíblia ainda nos ensina: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia nasce o irmão” (Provérbios 17:17). Foi exatamente assim que vocês se tornaram parte da minha história: não por obrigação, mas por amor. Acolheram-me como se eu sempre tivesse pertencido a esta família. E assim se cumpriu outra promessa do Senhor: “Acima de tudo, porém, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3:14). Entre nós, o amor venceu a distância, a diferença e o desconhecido. Onde havia um jovem buscando um lugar para pertencer, Deus preparou corações generosos para recebê-lo. Por isso, declaro, com profunda gratidão: “Permaneça o amor fraternal” (Hebreus 13:1). Vocês são irmãos que Deus me deu de presente — irmãos não apenas para a vida, mas também para a alma. E oro para que o Senhor derrame sobre cada um de vocês e sobre suas famílias abundância de graça, proteção e paz. Que Ele continue guiando nossos passos, unindo nossos corações e fortalecendo nossa amizade, hoje e para todo o sempre. Com amor, gratidão e carinho, do seu irmão do coração. Família Feio Tive o privilégio de conhecer a Família Feio e, por meio do meu irmão do coração, Édson, passei a fazer parte dela. Quando Édson se uniu a Maria Lúcia, elag já tinha uma filha, Mariana. Quando conheci Mariana, ela ainda era criança. Édson já havia se casado e, desse casamento, teve um filho, Leandro, que me escolheu para ser seu padrinho. Leandro foi meu primeiro afilhado, um presente especial que a vida me deu. Maria Lúcia, filha do senhor Luiz e da senhora Adelaide, também passou a fazer parte da minha vida. Foi assim que, aos poucos, passei a fazer parte de sua família e conheci Jorge, Lúcio, Luiz e Paulo, cada um com sua própria história, e também suas esposas: Aydee, Janete, Silvia e Neuza, mulheres que sempre me receberam com carinho, respeito e amizade. Depois vieram as crianças: Daniel, Jorginho, Pedro, Gabriel, Cecília, Lilian, Márcia e Bruno. Eram todos pequenos quando os conheci e cresceram diante dos meus olhos. Com o passar do tempo, tornaram-se meus sobrinhos do coração, laços que a vida me presenteou como uma dádiva divina. Hoje, ver cada um deles construindo suas próprias famílias enche meu coração de orgulho e emoção. Pedro casou-se com Esther, e tiveram uma filha, a Guigui. Esther já tinha uma filha. Cecília também se casou, com Ronaldo, e tiveram dois filhos: Heitor e Ronald. Mariana casou-se com Guilherme, e tiveram dois filhos: Sofia e Henrique. Jorginho casou-se com Juliane, e tiveram dois filhos: Yuri, meu afilhado, e Davi. Gabriel casou-se, separou-se e, posteriormente, conheceu Fernanda. Daniel casou-se e teve uma filha, Catarina. Márcia casou-se com Rafael, e tiveram uma filha, Luiza. Lilian casou-se com outro Rafael. E todos esses pequenos são meus sobrinhos-netos do coração. Eu os acolhi com o mesmo amor com que acolhi seus pais, acompanhando seu crescimento e celebrando cada conquista. Cada membro dessa família entrou na minha vida para somar, iluminar e me transformar. Sou profundamente grato por tudo o que vivemos e por todos os momentos compartilhados. Levo cada um de vocês no meu coração, com amor, respeito e uma eterna gratidão por fazerem parte da minha história. Família Feio, vocês são um presente que a vida e Deus colocaram no meu caminho. Aos Meus Irmãos de Sangue Éramos 13 irmãos, mas, infelizmente, três partiram ainda muito cedo. Assim, ficamos nós, dez irmãos, crescendo juntos, como uma verdadeira escadinha da vida: Edmundo, Inácio, Inácia, eu, Socorro, Helena, Nonato, Dione e Edmar. Nossa infância e nossa caminhada não foram fáceis. Enfrentamos muitas dificuldades, mas, mesmo diante de todas as adversidades, aprendemos a permanecer unidos. Cada um de nós seguiu seu próprio caminho, construiu sua história e enfrentou suas próprias batalhas, mas existe algo que o tempo jamais poderá apagar: o laço de sangue e a história que compartilhamos. Quando olho para trás, lembro-me de nossa infância, de nossas lutas, das alegrias simples e também dos momentos difíceis que enfrentamos juntos. Éramos uma família humilde, mas tínhamos uns aos outros. E isso foi uma das maiores riquezas que nossos pais poderiam nos deixar. Aos meus irmãos de sangue, quero expressar minha profunda admiração, meu carinho e minha gratidão. Tenho orgulho de cada um de vocês e de tudo o que construímos ao longo da vida. Aos três irmãos que partiram tão cedo, deixo também minha lembrança e meu carinho. Embora não tenham permanecido conosco para acompanhar nossa caminhada, fazem parte da nossa história e estarão para sempre na memória da nossa família. Somos dez irmãos que permaneceram, mas somos também treze histórias que nasceram do mesmo amor. O tempo passa, a vida muda, os cabelos embranquecem, mas o vínculo que nos une permanece. Que Deus continue abençoando cada um de nós, protegendo nossas famílias e permitindo que possamos conservar sempre a união, o respeito e o amor que nos tornam irmãos. Aos meus irmãos de sangue, minha eterna admiração, meu carinho e minha gratidão. Vocês fazem parte de quem eu sou e da história da minha vida. Queremos Viver Assim foi em Mariana. Novamente, aconteceu em Brumadinho. Mais uma vez, choraram os nossos corações, partidos pela dor e pelas lágrimas de tantas famílias que perderam seus entes queridos. A lama destruiu vidas, contaminou rios e deixou para trás um cenário de tristeza, dor e sofrimento. Corpos foram perdidos, famílias ficaram incompletas e tantas almas partiram deixando uma saudade que jamais será apagada. Pedimos socorro. Pedimos justiça. Pedimos respeito pela vida! Até quando vamos permitir que a irresponsabilidade destrua famílias, sonhos e vidas? Até quando o lucro será colocado acima do ser humano e da preservação da natureza? Não podemos aceitar que tragédias como essas sejam esquecidas. Cada vida importa. Cada família que chora merece respeito. Cada pessoa que partiu deixou uma história, um nome, um rosto e pessoas que a amavam. Mesmo diante da dor, precisamos manter viva a esperança. Precisamos unir nossas vozes e lutar por um mundo onde a vida seja mais importante do que qualquer riqueza. Que Deus conforte os corações daqueles que perderam seus familiares e dê força para que a justiça prevaleça. Vamos gritar ao mundo, com fé, esperança e coragem: QUEREMOS VIVER! Queremos rios limpos, natureza preservada, justiça e, acima de tudo, respeito pela vida. Aos Irmãos do Rio Grande do Sul Neste momento desafiador, quero expressar minha mais profunda solidariedade a todos que sofreram com a catástrofe: irmãos desabrigados, ilhados, que perderam entes queridos ou que clamam por socorro. Sei que as dificuldades são imensas, mas a fé em Deus é maior do que tudo. Saibam que vocês não estão sozinhos. A união faz a força e, juntos, somos capazes de superar qualquer adversidade. Somos um povo solidário. Estou aqui para oferecer meu apoio incondicional. Juntos, vamos reconstruir o que foi devastado, seguindo em frente com força, esperança e determinação. Vocês são uma inspiração pela resiliência e pelo espírito de luta. Poemas FILHOS DA PÁTRIA O dia chegará em que todos seremos um só ser, uma só família, filhos da pátria. Unidos, venceremos: pretos, brancos, jovens, crianças e idosos. Enfim, encontraremos a paz. Onde houver igualdade, haverá amor. Não morreremos por uma causa, mas juntos lutaremos por ela: a paz. O mundo clama por socorro. Não importa a distância, perto ou longe, juntos estaremos. Somos filhos da pátria, somos filhos do mundo. A mudança é possível, e só depende de nós. Somos uma só família, filhos do mundo, uma só pátria. Precisamos nos doar, amar nossos irmãos, porque somos parte do mundo. Somos o mundo, somos filhos da pátria. Podemos fazer diferente. A hora é agora! Juntos construiremos um futuro de paz. Você pode fazer a diferença, a escolha é sua. Precisamos salvar vidas: a minha e a sua. Vamos fazer o bem a quem precisa. Eu e você, somos filhos do mundo, uma só pátria. Vamos construir um futuro melhor. Somos uma só família, somos filhos de Deus. Povos unidos, vidas salvas. Deus transforma corações. Ouçamos a Sua Palavra e estendamos a mão ao próximo. Somos irmãos, filhos de Deus, filhos da pátria. Lutaremos pela paz, lutaremos pelo amor. Somos todos um só povo, somos todos pela paz. Filhos da pátria, filhos do mundo, filhos de Deus. Uma só família, um só coração, um mundo de paz. Aos Meus Sobrinhos Cada um dos meus irmãos construiu sua própria família, casou-se e teve seus filhos. E assim chegaram vocês, meus queridos sobrinhos, presentes preciosos que a vida e Deus nos deram. Quero que saibam o quanto amo cada um de vocês. Vocês são parte da nossa história, da nossa família e das lembranças que vamos construindo ao longo da vida. Em cada sobrinho, vejo um pedacinho dos meus irmãos e também a continuidade da nossa família. Deus nos presenteou com uma família que vai crescendo de geração em geração, unida pelos laços de sangue, pelo carinho, pelo respeito e, acima de tudo, pelo amor. Tenho por vocês uma profunda admiração e um carinho muito especial. Desejo que cada um siga seu caminho com fé, coragem, honestidade e esperança, sempre lembrando dos valores que recebemos de nossos pais e que fazem parte da nossa história. Meus sobrinhos queridos, vocês são uma bênção na minha vida. Que Deus proteja cada um de vocês, ilumine seus caminhos e abençoe suas famílias. Amo vocês e agradeço a Deus pelo privilégio de tê-los como meus sobrinhos. Vocês são parte da minha vida e estarão para sempre no meu coração. Capítulo — A Família que Deus Colocou no Meu Caminho Quando saí de casa para enfrentar a cidade grande, levei comigo poucos bens, mas carregava muitos sonhos. Eu queria deixar para trás a vida de pobreza que havia vivido no sertão. Queria estudar, trabalhar, conquistar o meu espaço e, acima de tudo, ser alguém na vida. Eu não sabia exatamente o que encontraria pela frente. Sabia apenas que precisava seguir em frente e acreditar que a vida poderia me oferecer novas oportunidades. Cheguei à cidade grande e, nos primeiros cinco anos, conheci um mundo completamente diferente daquele em que havia crescido. Conheci novas pessoas, novos lugares e novas maneiras de enxergar a vida. Foram experiências que me fizeram crescer e compreender que o mundo era muito maior do que eu imaginava. Mas, mesmo com tantas descobertas, dentro de mim ainda existia a vontade de ir além. Eu queria enfrentar novos desafios, conhecer outros caminhos e descobrir até onde meus sonhos poderiam me levar. Foi assim que cheguei ao Rio de Janeiro. Nunca imaginei que um dia viveria aqui. O Rio não estava nos meus planos, mas hoje compreendo que os planos de Deus muitas vezes são diferentes dos nossos. Existe uma frase que diz que Deus escreve certo por linhas tortas. E talvez a minha história seja exatamente assim. Às vezes me pergunto: como teria sido a minha vida se eu não tivesse ficado no Rio de Janeiro? Talvez tivesse sido melhor, talvez não. Eu nunca poderei saber. Mas uma coisa eu sei: Deus quis que eu permanecesse aqui. E foi aqui que Ele me deu um dos maiores presentes da minha vida: uma família. Uma família que, curiosamente, também carregava o mesmo sobrenome que eu. Mas, com o passar dos anos, descobri que o que realmente nos unia não era o sobrenome. Era algo muito maior: o amor. Deus colocou vocês no meu caminho por uma razão. Colocou-me dentro desta família para que eu pudesse aprender que família também é aquela que nos acolhe, que nos estende a mão, que divide alegrias e tristezas e que permanece presente em nossa caminhada. Por isso, sou profundamente grato. Não existem palavras suficientes para agradecer tudo o que vocês representam para mim. Se eu pudesse viver outra vida, faria um pedido a Deus: que me permitisse encontrar novamente esta mesma família. Porque acredito que alguns encontros não são obra do acaso. São encontros que Deus prepara. Ele me colocou na vida de vocês, e vocês passaram a fazer parte da minha. Talvez eu tenha chegado sem saber o que encontraria, mas encontrei carinho, amizade, respeito e amor. Deus me colocou no coração de vocês, e eu coloquei cada um de vocês no meu. É por isso que digo, com muito orgulho e emoção: Eu sou grato a Deus por fazer parte da família Sebastião e Jacy. Edinho, um irmão que Deus me deu E, dentro dessa história, existe uma pessoa a quem preciso fazer um agradecimento muito especial: Édson, o nosso querido Edinho. A vida nos aproximou e, pouco a pouco, fomos construindo um vínculo que se tornou muito especial para mim. Com o tempo, percebi que havia nascido entre nós algo que vai muito além da amizade. É um sentimento de irmão. Aprendi que irmão não é somente aquele que nasceu da mesma mãe ou que carrega o mesmo sangue. Irmão também é aquele que a vida coloca no nosso caminho e que aprendemos a amar, cuidar, proteger e querer sempre por perto. Com você, Edinho, foi assim. Nasceu entre nós um carinho que considero um presente de Deus. Um amor fraterno que não precisa de explicação, porque simplesmente existe. Você se tornou um irmão que a vida me deu. E por isso quero lhe dizer: muito obrigado por tudo. Obrigado pelo carinho, pela amizade, pela presença e por todos os momentos que compartilhamos. E existe ainda um agradecimento muito especial: obrigado por ter aceitado ser padrinho do meu filho e, principalmente, por amá-lo de uma maneira tão bonita. Ver o carinho que você tem por ele me emociona. Saber que meu filho também encontrou em você uma pessoa que o ama, que torce por ele e que estará presente em sua vida é um presente que guardarei para sempre no coração. Edinho, talvez eu nunca consiga encontrar palavras capazes de traduzir tudo o que você representa para mim. Mas quero que saiba que você é muito mais do que um amigo. Você é meu irmão de coração. E se Deus me perguntasse um dia quais foram os maiores presentes que Ele colocou no meu caminho, certamente eu lembraria das pessoas que fizeram parte da minha história. E você, Edinho, estaria entre elas. Porque existem irmãos que nascem do sangue. E existem irmãos que Deus coloca em nossa vida para nascerem do coração. Lúcia, uma mãe de coração Ainda falando da família que Deus colocou em meu caminho, quero falar de uma pessoa muito especial: Lúcia, esposa do meu irmão do coração, Edinho. Deus, em Sua infinita sabedoria, coloca pessoas em nossa vida que chegam de maneira simples, mas acabam ocupando um lugar eterno em nosso coração. Foi assim com a Lúcia. No início, éramos apenas pessoas unidas pelos laços da família. Mas, com o passar do tempo, Deus me presenteou com o meu filho, Gabriel, e algo ainda mais bonito aconteceu. A princípio, os padrinhos do Gabriel seriam a Lúcia e o Edinho. Porém, Lúcia preferiu que sua filha, Mariana, batizasse o Gabriel, pois ele seria o seu primeiro afilhado. Para mim, estava tudo bem, porque estávamos entre família, unidos pelo amor e pela vontade de Deus. Mas Deus tinha outros planos para aquela relação. Com o passar dos anos, Lúcia e Gabriel criaram uma afinidade tão grande, um carinho tão profundo e um amor tão verdadeiro, que a relação entre os dois passou a parecer a de mãe e filho. Gabriel não ganhou apenas uma tia querida. Ganhou uma segunda mãe, uma mãe de coração. E Lúcia passou a amá-lo com um amor tão forte e tão verdadeiro que, muitas vezes, parece até que ele nasceu dela. É bonito perceber que o amor não precisa necessariamente nascer do sangue. Existem laços que Deus constrói no coração e que se tornam ainda mais fortes do que muitos laços de sangue. Lúcia, hoje quero lhe dizer, do fundo do meu coração: muito obrigado. Obrigado por todo amor que você dedica ao Gabriel. Obrigado pelo carinho, pelo cuidado, pela presença e por esse amor de mãe que você lhe oferece todos os dias. Talvez eu nunca consiga retribuir tudo o que você fez e continua fazendo por ele. Mas acredito que Deus conhece cada gesto de amor, cada cuidado e cada momento dedicado a alguém que amamos. Por isso, minha oração é que Deus abençoe sua vida, cubra você com Sua graça e retribua, em bênçãos, todo o amor que você oferece ao Gabriel. E que Nossa Senhora, Mãe de todos nós, esteja sempre ao seu lado, protegendo você e sua família sob o seu santo manto. Lúcia, você é muito mais do que uma cunhada. É parte da minha família, é uma pessoa que Deus colocou no meu caminho e, principalmente, é alguém que escolheu amar o meu filho como se fosse seu. Esse amor é um presente de Deus, e por ele serei eternamente grato. Capítulo — O Filho que Deus Colocou em Meus Braços Houve uma fase da minha vida em que eu sentia uma coisa que, naquela época, eu mesmo não conseguia compreender. Sentia ciúmes quando via uma criança recebendo o carinho, a atenção e o cuidado de seus pais. Eu olhava aquelas cenas e algo dentro de mim doía. Mas eu não entendia o porquê. Nunca deixei esse sentimento transparecer para ninguém. Guardava tudo dentro de mim, acreditando que aquilo era apenas coisa da minha cabeça e que, com o tempo, iria passar. E passava. Mas, depois de algum tempo, voltava novamente. Hoje compreendo que talvez aquilo não fosse simplesmente ciúme. Talvez fosse a saudade de um amor que eu ainda não tinha vivido. Talvez fosse o desejo, escondido dentro de mim, de um dia também ter alguém para chamar de meu filho. Foi assim que nasceu em meu coração o desejo de ser pai. Comecei a frequentar orfanatos e lugares onde havia crianças. Quando passava diante das vitrines das lojas e via roupas, brinquedos e objetos para crianças, eu parava para olhar. Quando encontrava um pai ou uma mãe caminhando de mãos dadas com seu filho, meu coração fazia uma pergunta que eu não sabia responder: “Por que aquela criança não pode ser minha?” Eu não sabia quando, nem como, mas dentro de mim crescia cada vez mais a esperança de que um dia Deus realizaria aquele sonho. Até que, certo dia, recebi um telefonema. Aquela ligação mudaria a minha vida para sempre. Foi como se Deus estivesse dizendo: “Seu filho chegou.” Confesso que, naquele primeiro momento, tive medo. Mesmo desejando tanto ser pai, comecei a pensar em todas as responsabilidades que viriam pela frente. Será que eu teria condições de criá-lo? Será que conseguiria dar a ele uma vida digna? Será que seria capaz de ser um bom pai? Foram muitas perguntas e muitas dúvidas. Mas, no meio de todas elas, havia uma certeza maior: aquela criança tinha chegado à minha vida por um propósito de Deus. Então tomei a decisão. Aquela criança seria meu filho. Eu estava disposto a cuidar dele, protegê-lo, amá-lo e fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para vê-lo feliz. Se fosse preciso, daria a minha própria vida por ele. E então chegou o momento que jamais esquecerei. Quando peguei meu filho pela primeira vez nos braços, algo aconteceu dentro de mim que palavras nenhuma conseguem explicar. Olhei para aquela criança e senti uma emoção que nunca havia sentido antes. Era como se, naquele instante, todas as perguntas, todos os medos e todas as esperas tivessem encontrado uma resposta. Eu finalmente podia dizer: “Meu filho.” Duas palavras tão simples, mas que para mim carregavam o significado de uma vida inteira. Naquele momento, compreendi que Deus havia ouvido o desejo do meu coração. Gabriel, meu filho, você talvez nunca consiga imaginar o tamanho do amor que sinto por você. Às vezes penso que, quando Deus o criou, Ele já sabia que um dia você chegaria à minha vida. O amor que sinto por você é tão grande que se tornou maior do que o amor que tenho por mim mesmo. Você não foi apenas uma criança que chegou à minha vida. Você foi a resposta de Deus para um sonho que eu carregava dentro do coração. Por isso, todos os dias agradeço a Deus pela sua vida. Peço a Nossa Senhora que cubra você com seu manto sagrado, proteja seus passos, ilumine seus caminhos e nunca permita que lhe falte amor. E hoje, olhando para trás, só posso dizer: Obrigado, meu Deus, por ter me escolhido para ser pai. Obrigado por ter colocado Gabriel em meus braços. Obrigado pelo maior presente que a vida poderia me dar: o meu filho. Um Filho para Chamar de Meu Desde muito cedo, ainda jovem, eu carregava dentro de mim um desejo que, durante muitos anos, guardei em silêncio: o desejo de ser pai. Era um sonho que vivia escondido no coração, mas que nunca morreu. Às vezes parecia distante, quase impossível, mas sempre voltava, como uma voz suave dizendo que aquele desejo ainda fazia parte do meu destino. Ao mesmo tempo em que sonhava em ser pai, muitas dúvidas também me acompanhavam. Casar, conhecer uma mulher, construir uma família dentro dos padrões tradicionais e formar um lar daquela maneira não fazia sentido para mim. E havia ainda outra questão que me assustava: a enorme responsabilidade de cuidar de uma criança. Foi então que a adoção começou a surgir em meus pensamentos como uma esperança, como uma porta que talvez Deus estivesse deixando aberta para mim. Mas, mesmo desejando ser pai, meu coração continuava cheio de perguntas. Eu pensava: Como seria criar uma criança sem que ela tivesse uma mãe? E quando, um dia, ela sentisse falta dessa presença e me perguntasse por ela, o que eu responderia? Algumas oportunidades surgiram ao longo da vida, mas eu sempre acabava recuando. O desejo existia, mas o medo também. E a mesma pergunta insistia em voltar: Será que eu seria capaz de cuidar de uma criança sozinho? Por muito tempo, o sonho permaneceu ali, guardado dentro de mim, esperando o momento certo. Até que, um dia, o destino bateu à minha porta. Tudo começou com um telefonema. Pode parecer apenas uma ligação comum, mas, para mim, aquele telefonema mudou o rumo da minha vida. Naquele instante, algo dentro de mim se acendeu. Era como se todas as dúvidas que me acompanharam durante tantos anos começassem a perder a força. Eu senti, no fundo do coração, que aquela era a hora. Era como se Deus estivesse falando diretamente comigo e dizendo: “Vá. Chegou o momento. Pegue o teu filho nos braços.” E eu fui. Naquele momento, o sonho que durante tantos anos viveu apenas dentro do meu coração começou a se tornar realidade. Eu teria um filho. Um filho para amar. Um filho para cuidar. Um filho para proteger. Um filho para chamar de meu. A emoção de segurar aquele pequeno ser nos braços pela primeira vez é algo que jamais conseguirei explicar completamente. Existem sentimentos que as palavras não conseguem traduzir, e aquele foi um deles. Era amor, emoção, medo, responsabilidade e felicidade, tudo ao mesmo tempo. Aos 52 anos, eu me tornava pai. E, junto com meu filho, também nascia dentro de mim uma nova versão de mim mesmo. Nascia um pai. Não foi fácil. Ser pai trouxe desafios que eu jamais havia imaginado. Muitas vezes tive medo, muitas vezes me perguntei se estava fazendo tudo certo. Mas foi então que descobri algo que mudou a minha maneira de enxergar a vida: O amor nos ensina aquilo que o medo tenta nos impedir de aprender. Aquilo que antes parecia impossível começou a se tornar possível. O que parecia difícil tornou-se mais simples, porque a vontade de ser pai era maior do que qualquer insegurança. E eu não caminhei sozinho. Ao meu lado, tive o meu companheiro, que me deu todo o apoio de que eu precisava. Também tive o carinho, a presença e a força da minha família e dos meus amigos. A jornada não foi fácil. Houve luta, desafios e momentos de incerteza. Mas, olhando para trás, posso dizer que cada dificuldade valeu a pena. Porque o filho que eu tanto esperei chegou. O filho que eu desejei durante tantos anos. O filho que, durante tanto tempo, existiu apenas nos meus sonhos. Deus me deu. E, naquele momento, compreendi que alguns sonhos não acontecem quando queremos. Eles acontecem quando chega a hora certa. Hoje, quando olho para o meu filho, lembro-me de todas as dúvidas que um dia tive, de todos os medos que me fizeram recuar e de todas as oportunidades que deixei passar. E entendo que talvez tudo tenha acontecido exatamente como deveria acontecer. Porque aquele sonho não morreu. Ele apenas estava esperando o momento certo para se realizar. E, quando finalmente aconteceu, não recebi apenas um filho. Recebi a oportunidade de viver um dos maiores amores que alguém pode conhecer. Recebi um filho para chamar de meu. Natal e Luz Natal é luz que renasce e se acende em nossos corações. É tempo santo e bendito, tempo de fé, esperança e oração. É o tempo em que lembramos do Menino Jesus, nosso Salvador, que veio ao mundo por nós para nos ensinar o caminho do amor. Natal é também reflexão, é olhar para dentro de nós, deixar o passado para trás, calar as tristezas e ouvir a voz da esperança que nos chama a recomeçar mais uma vez, permitindo que o coração sorria e que a fé nos mantenha de pé. Que o brilho das luzes nas árvores não ilumine apenas as ruas e os lares, mas alcance também a nossa alma e faça florescer os mais belos sentimentos. Que, neste Natal, brote em nós o desejo sincero de fazer o bem, de estender a mão ao necessitado e repartir o amor com alguém. Natal é a família reunida, é o abraço cheio de carinho, é a fé que nos fortalece e ilumina o nosso caminho. É a caridade que floresce, a mesa farta e compartilhada, a mão estendida ao irmão, a oração ao céu elevada. É o amor que fala mais alto, vencendo a tristeza e a solidão, é Cristo presente entre nós, habitando cada coração. E por aqueles que já partiram, rogamos ao Pai, com emoção, que recebam Sua luz eterna e vivam em Sua santa proteção. Que os anjos cantem com fervor e levem aos céus a nossa oração. Que nunca falte em nossos lares a paz, a esperança e o perdão. Que onde houver tristeza, haja consolo. Onde houver dor, floresça o amor. Onde houver desespero, nasça a esperança. E onde houver escuridão, brilhe o Senhor. Que este Natal seja de alegria, de fé, de paz e fraternidade, e que o novo ano que se aproxima nos traga mais amor e humanidade. Que todos os irmãos caminhem unidos, sem diferenças e sem divisão, de mãos dadas e unidos em Cristo, vivendo para sempre em uma doce e santa união. Feliz Natal! Que a luz do Menino Jesus ilumine hoje e sempre os nossos corações. O Amor da Janela O amor sempre foi o meu maior motivo para viver. Acredite, não existe outro que possa ocupar o seu lugar. No meu coração, só existe você, e, mesmo depois de tanto tempo, o seu cheiro ainda permanece em mim. Nem o tempo, em sua longa caminhada, conseguiu apagar as lembranças nem silenciar o passado. Você me ensinou a olhar além do horizonte. Seus beijos eram doces como o mel, e, ao seu lado, aprendi a perceber a beleza das flores. Quantas vezes saí descalço, procurando por você, na ilusão de encontrá-la em algum lugar do caminho. E eu me pergunto, ainda hoje: de que valeu todo o meu amor, se tantas palavras ficaram guardadas e tantos sentimentos permaneceram escondidos dentro do meu coração? Se você diz que me ama, saiba que foi para você que escrevi este poema. Perdoe os meus erros. Esta foi a maneira que encontrei de dizer aquilo que tantas vezes não tive coragem de falar: Eu amei você. E talvez uma parte de mim ainda ame. Da janela da minha casa, eu te admirava em silêncio. Via você conversando com suas amigas na calçada da sua casa. Você era uma jovem linda, e havia algo em seu olhar que me prendia e me cativava. Foi assim que me apaixonei: sem que você soubesse, sem fazer promessas, sem imaginar onde aquele sentimento poderia me levar. Você ia estudar, e eu seguia para o trabalho. Pegávamos a mesma condução, e, muitas vezes, eu pagava a sua passagem, feliz apenas por saber que poderia estar ao seu lado por mais alguns minutos. Para mim, aqueles pequenos momentos valiam mais do que qualquer riqueza. Eu queria apenas estar perto, ouvir a sua voz, ver o seu sorriso e sentir que, por alguns instantes, os nossos caminhos seguiam juntos. Mas o tempo passou, e a coragem que eu tanto procurava nunca chegou. Nunca consegui lhe contar o que o meu coração sentia. Guardei em silêncio o amor que nasceu da janela, cresceu nos caminhos da vida e permaneceu escondido dentro de mim. Hoje, transformo esse sentimento em palavras e poesia. Talvez você nunca tenha imaginado o quanto foi amada. Mas eu sei. Pois, mesmo que o tempo passe e a vida siga por outros caminhos, existem amores que não desaparecem. Apenas aprendem a morar para sempre na memória e no coração. E o meu amor por você começou assim: da janela da minha casa, quando, sem você saber, eu comecei a te amar. Rio, Cantado em Verso e Prosa Rio de Janeiro, cidade encantada, De beleza infinita, por Deus abençoada. Rio do samba, do povo e da canção, Que vive para sempre dentro do coração. Rio do Maracanã e de Copacabana, Do sol que nasce e ilumina a semana. Do Cristo Redentor, de braços abertos, Abençoando caminhos, sonhos e desertos. Do Pão de Açúcar, beleza sem igual, Do Corcovado, cenário monumental. Da Escadaria Selarón, cheia de cor, Rio que encanta e inspira amor. Rio da Floresta da Tijuca e do verde, De uma beleza que o tempo não perde. Do Arpoador, de Ipanema e Leblon, Onde o mar faz da natureza sua canção. Rio do Parque Lage e de sua história, Da Lagoa Rodrigo de Freitas, pura memória. Da Pedra da Gávea e do Jardim Botânico, Onde cada paisagem é um presente mágico. Rio da Praia Vermelha e do azul do mar, Cidade que nasceu para encantar. Rio do Réveillon, da luz e da emoção, Do Carnaval que embala a multidão. Rio das belas paisagens e da história, De tantos lugares guardados na memória. Rio do trabalho, Rio acolhedor, Rio do calor, da amizade e do amor. Rio dos morros e das comunidades, De tantas lutas e tantas realidades. Rio de todas as cores e de todos os ritmos, De diferentes histórias e infinitos destinos. Rio de grandes nomes e personalidades, De talentos que atravessam gerações e cidades. Rio de Adolfo Lutz e de Fernanda Torres, De artistas, cientistas e tantos valores. Rio do turismo, da beleza sem fim, Rio que encanta quem chega até aqui. Cidade Maravilhosa, orgulho nacional, Um cenário de beleza incomparável e especial. Rio de todos os povos, de todos os tons, Rio de tantas vozes, de tantos sons. Rio que o Brasil inteiro aprendeu a amar, Rio que nasceu para o mundo encantar. Rio de Janeiro, em verso e em prosa, Cidade eterna, bela e grandiosa. Entre montanhas, praias, sonhos e emoção, Para sempre viverás dentro do coração. Rio, Cidade Maravilhosa, Cantado para sempre Em verso e prosa. Meu Pai, Meu Herói Pai, hoje falo de você com o coração cheio de saudade, mas também cheio de gratidão por Deus ter permitido que nossos caminhos se encontrassem. Você foi meu primeiro exemplo, meu lugar seguro, o abraço que me acolhia e o porto onde eu encontrava paz. Foi em você que aprendi que o amor verdadeiro não precisa de grandes palavras. Ele está nos gestos, nos cuidados, nos ensinamentos e até nos silêncios. Pai, você me ensinou a ser forte, a ter coragem diante das dificuldades e a nunca abandonar o caminho do bem. Com sua sabedoria, você me mostrou que a vida é feita de lutas, escolhas e esperança. Talvez eu nunca tenha conseguido dizer tudo o que você significou para mim, mas hoje quero que estas palavras sejam a minha declaração de amor: Pai, eu te amo. Você foi meu herói, não daqueles que aparecem nas histórias, mas daquele que esteve presente na minha vida, me ensinando, protegendo e deixando em mim um pouco de sua própria história. O tempo pode passar, a saudade pode apertar e os dias podem seguir seus caminhos, mas nada será capaz de apagar sua presença das minhas lembranças. Enquanto eu viver, uma parte de você viverá em mim. E quando eu olhar para o céu, vou lembrar que o amor não termina quando a vida chega ao fim. Ele permanece, porque aquilo que é verdadeiro Deus guarda para sempre. Que Deus receba você em seus braços e lhe conceda a paz eterna. E que Nossa Senhora o cubra com seu manto sagrado e o conduza à luz divina. Descanse em paz, meu pai. Você partiu deste mundo, mas nunca partirá do meu coração. Para sempre, meu pai, meu herói, meu eterno amor. Sementinha do Amor Mensagem de um Anjo Mamãe e papai, Eu fui uma sementinha de amor, um sonho que nasceu no coração de vocês. Meu pequeno coração começou a bater, e vocês começaram a sonhar com o meu futuro. Mas Deus, em Sua infinita sabedoria, preparou para mim um caminho diferente. Antes mesmo de conhecer este mundo, o Papai do Céu me chamou para morar ao Seu lado. Não fiquem tristes por mim. Eu estou bem. Aqui no céu, Deus preparou um lindo lugar para mim, onde não existe dor, nem lágrimas, nem despedidas. Eu ainda não tinha um nome na Terra, mas aqui no céu sou chamado de: Anjo da Esperança. Mamãe, não chore. Papai, cuide dela. Guardem no coração todo o amor que já existia entre nós. Talvez eu não tenha deixado pegadas na Terra, mas deixei uma sementinha de amor que jamais morrerá. Quando sentirem saudade, olhem para o céu. Estarei para sempre nas lembranças, nas orações e no amor de vocês. Fiquem na paz do Senhor, minha mãezinha e meu papai. Com amor, Seu Anjo da Esperança. Isso Não É Amor Ciúme demais não é amor. Obsessão não manda no coração. Controle, vigilância e invasão não são provas de amor, mas sinais de uma prisão. Quando o celular vira prova e a desconfiança domina a relação, isso não é amor, é isolamento e dor. O amor de verdade sabe confiar. Quem ama não aprisiona, deixa o amor respirar, deixa o outro ser livre e também voar. Quando o carinho vira prisão, chora o coração. Isso não é amor, é sofrimento e dissabor. Uma relação sincera é feita de paz e união, de respeito, confiança e liberdade no coração. Porque onde existe amor de verdade, não há medo de ser quem se é. Há liberdade para caminhar juntos, sem correntes, sem controle e sem perder a fé. Coração Apaixonado Coração apaixonado por um amor impossível, mas que ama de verdade e sabe que nada é previsível. Nunca vou desistir do que sinto por você, pois esse amor guardado no peito não consigo esquecer. Quando a saudade aperta, eu canto para esquecer. O som do seu nome bate no pandeiro e faz meu coração sambar por você. Você me faz bem, faz meu mundo melhor. É assim o meu jeito de amar: entregar a alma e o coração. Coração apaixonado nunca se cansa de esperar. E, se o destino assim quiser, deixo o tempo decidir. Pois, enquanto houver esperança e o sentimento existir em mim, seguirei amando em silêncio, com esse amor fiel até o fim. Suplica a Senhora de Fátima Guarda-nos em teu manto sagrado, Mãe de amor e de misericórdia. Quando os meus passos se perderem nas estradas difíceis da vida, sê a luz que me mostra o caminho e a força que sustenta o meu coração. Quando a tristeza visitar a minha alma, acolhe-me em teus braços de Mãe. Quando o medo tentar vencer a minha fé, lembra-me de que Deus jamais abandona aqueles que caminham com esperança. Nossa Senhora de Fátima, Mãe do Rosário e Rainha do Céu, intercede por mim e por minha família. Protege aqueles que amo, cura os corações feridos, conforta os que choram e levanta aqueles que já não encontram forças para continuar. Ensina-me a aceitar os mistérios da vida, a compreender aquilo que não posso mudar e a confiar nos planos de Deus, mesmo quando os meus olhos não conseguem enxergar o amanhã. Que a tua luz ilumine os meus caminhos, que o teu amor fortaleça a minha fé e que o teu manto seja sempre o abrigo da minha alma. Nossa Senhora de Fátima, Mãe de Deus e Mãe do Céu, permanece ao meu lado nos dias de alegria e nos dias de dor. E, quando chegar a hora de atravessar o último caminho desta vida, segura a minha mão, conduz-me para perto de teu Filho e ensina a minha alma a descansar na eterna paz de Deus. Amém.
Ademi Gomes
Enviado por Ademi Gomes em 14/08/2026
Alterado em 02/09/2026 Comentários
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